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3 de mai. de 2013
25 de fev. de 2013
Porque estamos nas garras do crime
do blog Vespeiro;

Sexta-feira
foi Gil Rugay que matou o próprio pai e a namorada dele - há nove anos (!!!).
“33 anos e 9 meses de cadeia”, disse o juiz. “Trata-se de um criminoso
dissimulado e perigoso”. E lá se foi o “condenado”, livre leve e solto, rindo,
de volta para o aconchego da sua casa, talvez para esperar outros 9 anos por um
novo julgamento...
Vinte
e quatro horas antes eram Cristian e Daniel Cravinhos, que em 2002 massacraram
com golpes de barras de ferro o casal Richthofen enquanto dormia a pedido da
própria filha deles, que saíam da prisão para desfrutar o “regime semi-aberto”,
por “bom comportamento”. (Tente explicar para qualquer estrangeiro que a
Justiça do seu país considera soltar tipos como estes “por bom comportamento”...)
Poucas
semanas antes, Sergio Costa Junior, policial que, junto com outros policiais,
trucidou com 21 tiros no rosto a juíza Patricia Acioly, foi
beneficiado com redução de pena “por colaborar com a justiça”...
O
jovem casal que assassinou na flor da idade Daniela Perez, filha
da autora da presente novela do horário nobre da Globo, com centenas
de tesouradas, anda por aí já há uns bons dois anos, solto por “bom
comportamento”.
Praticamente
toda semana os jornais noticiam mais uma barbaridade – assassinatos, estupros,
assaltos, sequestros – perpetrada por algum bandido preso e condenado, solto da
cadeia “por bom comportamento” para visitar os amigos e parentes.
Ninguém
neste país, por mais monstruoso que tenha sido o seu crime, cumpre a metade de
uma pena já leve demais para o peso do crime por tirar uma vida e destruir uma
família para sempre.
Se
for menor de idade então, nem que seja um serial killer ou um
estuprador de bebês, será chamado pelas autoridades apenas de “infrator” e pode,
na melhor das hipóteses ficar retido até fazer 21 anos, data em que sairá da
cadeia livre e com a ficha limpa.
Encerrei
a semana passada com o post sobre Mantega e Yoani Sanchez afirmando que o ponto
de ruptura que desloca o pensamento de esquerda para o campo ideo-lógico é a
negação do princípio do mérito, e que negar o princípio do mérito, ou a
relação de causa e efeito implica negar também as ideias de responsabilidade
individual e de livre arbítrio.
É
por isso que não há polícia que chegue; é por isso que o Brasil está a mercê
dos criminosos.
A
esquerda brasileira não reconhece a existência da covardia nem da maldade. A
mãe que mata o filho, o pai que estupra o bebê e daí para cima no vasto rol que
define o lado negro do ser humano, nada, nunca, é culpa do autor do crime. Até
o ódio de classe desaparece nessa hora. Rico ou pobre, é sempre “a iniquidade
da ordem social” que o levou a se transformar no monstro que é.
Daí
decorre que não é a principal, a única função da cadeia é “ressocializar”
o criminoso e devolvê-lo o quanto antes às ruas, e não, proteger dele o resto da
sociedade. Não há monstruosidade que não possa ser redimida e apagada (menos
para quem morreu; menos para quem teve seu ente querido morto) com um par de
anos de “bom comportamento” na prisão.
É
isso que a televisão mostra diariamente a todos os brasileiros desde que
nascem. Uma vida tirada para sempre, ainda que por nada e de forma torpe e
covarde, quando custa alguma coisa, custa um par de anos na cadeia entremeados
de indultos e outros benefícios.
E
se uma vida não vale nada, o que poderia valer alguma coisa?
Antes
de mudar isso, nada mais pode mudar no Brasil.
O
jovem casal que assassinou na flor da idade Daniela Perez, filha
da autora da presente novela do horário nobre da Globo, com centenas
de tesouradas, anda por aí já há uns bons dois anos, solto por “bom
comportamento”.
Praticamente
toda semana os jornais noticiam mais uma barbaridade – assassinatos, estupros,
assaltos, sequestros – perpetrada por algum bandido preso e condenado, solto da
cadeia “por bom comportamento” para visitar os amigos e parentes.
Ninguém
neste país, por mais monstruoso que tenha sido o seu crime, cumpre a metade de
uma pena já leve demais para o peso do crime por tirar uma vida e destruir uma
família para sempre.
Se
for menor de idade então, nem que seja um serial killer ou um
estuprador de bebês, será chamado pelas autoridades apenas de “infrator” e pode,
na melhor das hipóteses ficar retido até fazer 21 anos, data em que sairá da
cadeia livre e com a ficha limpa.
Encerrei
a semana passada com o post sobre Mantega e Yoani Sanchez afirmando que o ponto
de ruptura que desloca o pensamento de esquerda para o campo ideo-lógico é a
negação do princípio do mérito, e que negar o princípio do mérito, ou a
relação de causa e efeito implica negar também as ideias de responsabilidade
individual e de livre arbítrio.
É
por isso que não há polícia que chegue; é por isso que o Brasil está a mercê
dos criminosos.
A
esquerda brasileira não reconhece a existência da covardia nem da maldade. A
mãe que mata o filho, o pai que estupra o bebê e daí para cima no vasto rol que
define o lado negro do ser humano, nada, nunca, é culpa do autor do crime. Até
o ódio de classe desaparece nessa hora. Rico ou pobre, é sempre “a iniquidade
da ordem social” que o levou a se transformar no monstro que é.
Daí
decorre que não é a principal, a única função da cadeia é “ressocializar”
o criminoso e devolvê-lo o quanto antes às ruas, e não, proteger dele o resto da
sociedade. Não há monstruosidade que não possa ser redimida e apagada (menos
para quem morreu; menos para quem teve seu ente querido morto) com um par de
anos de “bom comportamento” na prisão.
É
isso que a televisão mostra diariamente a todos os brasileiros desde que
nascem. Uma vida tirada para sempre, ainda que por nada e de forma torpe e
covarde, quando custa alguma coisa, custa um par de anos na cadeia entremeados
de indultos e outros benefícios.
E
se uma vida não vale nada, o que poderia valer alguma coisa?
Antes
de mudar isso, nada mais pode mudar no Brasil.
17 de fev. de 2013
E da esbórnia fez-se a ordem
Grande post do blog Vespeiro:

Não, nem tudo está perdido. Há razões para sermos otimistas.
Na ressaca da queda do Congresso Nacional (Renan, Henrique Eduardo Alves) segui para os feriados do Carnaval, um tanto deprimido, com uma pergunta – “Porque o povo não reage?” (aqui) – e uma meia resposta – “Não ha ética, senhores. O que pode haver é polícia…” (aqui).
Três dias depois a leitora Helena Maria de Souza que, a julgar pelo que ela nos deixa entrever, é professora de escola pública, reagiu no espaço para comentários aqui doVespeiro, mas com outro desabafo parecido com o meu (aqui):
“Nós adoramos depender do Estado (pai patrão)…”, dizia ela.
“Tanto nas universidades quanto nos hospitais (públicos) o que mais se vê é a briga pelo poder”…

“É preciso que todos se sintam incapacitados, dependentes do Estado, dos governos e dos demagogos de plantão”…
“…revoltar-se contra o lulo-petismo implantado no país é ter de revoltar-se contra si mesmo. E deixar de se ver no espelho. Isto é possível?????
Com a palavra a psicanálise”.
Sim, Helena, tudo que você descreve é verdade.
Eu só discordo do verbo. Não é assim que nós somos. É assim que nós estamos.
E isso faz toda a diferença.
O homem é o bicho mais maleável da Natureza. O que mais rapidamente aprende com a adversidade e molda o seu comportamento para adaptar-se a ela.

Mas isso é uma faca de dois gumes.
Se esta característica jogou decisivamente a nosso favor enquanto se tratou de escapar ao jugo da Natureza, ela passou a jogar contra nós desde que, libertados dele, o problema passou a ser escapar ao jugo dos outros homens.
Você mencionou a “luta pelo poder”. Este é, pode-se dizer, um dos traços “recessivos” da nossa condição ancestral.
“Lutamos pelo poder” com as pernas e com os dentes enquanto foram essas as armas a definir quem tinha e quem não tinha o direito de transmitir os seus genes para mais adiante. Passaremos, eu espero, a faze-lo exclusivamente com o cérebro e a aplicação do conhecimento se chegarmos, um dia, a banir completamente a força bruta dessa contenda. Mas por enquanto, nesta fase intermediária em que nos encontramos, num ambiente onde a economia substitui a fome pura e simples que nos movia antes, a condição econômica de cada um é que passou a ser o fator de decisão.

As pernas e os caninos continuam lá, onde sempre estiveram, a nos lembrar do que essencialmente somos. Mas já não é a jugular do próximo que é preciso, literalmente, morder para ganhar o direito de continuar por aí e garantir um lugar para a sua posteridade. Basta aferrar-se a alguma boa veia da economia para garantir, para si e para os seus, um lugar ao sol.
A regra de ouro de Darwin – “sobrevivência dos mais adaptados” – continua valendo, intacta.
O que foi, então, que mudou?
Mudou quem faz a regra do jogo. Antes era a Natureza. E alterar a qualidade da regra estava totalmente fora do nosso alcance. Hoje a regra é feita por outros homens. Pode, portanto, ser alterada.
É a este progressivo ganho de manobrabilidade sobre a regra que se resume a epopéia que chamamos de “esforço civilizatório”.

O Brasil inteiro assistiu, por estes dias, os desfiles das escolas de samba do Rio e de São Paulo tantas vezes invocados, geralmente pelo lado negativo, como o retrato do que somos enquanto sociedade. Li que o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meireles, falou da complexa organização que esses desfiles envolvem, mas perdi a matéria quando saiu e não sei em que termos ele o fez. De qualquer maneira a observação é preciosa.
Uma escola de samba evoluindo pela avenida é algo muito mais complicado que os mecanismos de relojoaria que, no passado, fizeram a fama mundial do modo de organização suíço.
São quatro, cinco mil “peças” com funcionamento individual independente divididas em subconjuntos encadeados entre si, evoluindo todas no mesmo ritmo mas cada uma com movimentos e funções diferenciadas, um olho no todo outro no seu subtema particular (abre-alas, baianas, passistas, porta-bandeiras, alas temáticas, “bateras”, destaques, etc) fazendo evoluções complicadas em direção a um objetivo comum e executando esse todo com precisão milimétrica de tempo e espaço.

E tudo isso rola na maior alegria, sem falar nas enormes doses de criatividade, dedicação gratuita e altruísmo (ainda) envolvidas na coisa.
Ou seja, até na festa que, pela sua outra vertente, é sinônimo de esbórnia, o brasileiro é capaz de se organizar impecavelmente e vencer pelo merecimento desde que haja uma regra igual para todos e efetivamente imposta entre ele e o objetivo a ser conquistado.
Da esbórnia faz-se a ordem e a harmonia porque este é o único caminho para prevalecer na disputa por esse campeonato (a “luta pelo poder”) e cada erro, cada passo fora da regra custa, infalivelmente, a perda de pontos até o limite do rebaixamento ou da desclassificação.
É mais uma imitação da vida, como tudo que nós, humanos, “inventamos”, governos inclusive.

É aí que entra o meu ponto. O Brasil e os brasileiros não são, irremediavelmente, o que lhe parece que sejam neste momento de triunfo dos desviados. O Brasil e os brasileiros estãocomo você descreve, Helena, porque esta é a regra que lhes é imposta, desde “lá”, da mais alta tribuna que o país inteiro vê e ouve.
Quem não entra na putaria não entra na política. O bom comportamento é sistematicamente punido e a sacanagem infalivelmente premiada. Não é que lhes é dado exibi-lo; os corruptos literalmente esfregam o seu sucesso na cara do país; afirmam abertamente que foi através da corrupção que o obtiveram. E é de “lá” que a regra desce Brasil abaixo.
O país inteiro é capaz de apontar filho de que governo; fruto de que sacanagem é cada bilionário, cada mega empresário. No meio ambiente econômico em que vivemos, quem cumpre as regras civilizadas perde a condição de competir (interna e externamente). Perde a “luta pelo poder”. Perde o seu lugar ao sol.

Se o sucesso passa a ser uma confissão de culpa, instala-se a subversão geral. E, ironicamente, instala-se porque, ainda que com a maioria dançando conforme à música para sobreviver e “dar certo”, a noção de certo e errado, o senso de Justiça inato na nossa espécie, subsiste, como prova a sua própria manifestação, Helena.
Pois é em cima desses bons sentimentos que cinicamente atuam os fariseus da política, os mesmos de onde emana toda essa subversão. Se o sucesso é uma confissão de culpa, basta acionar essa tecla quando o desespero provocado por esse sistema de exploração passa da borda do suportável. Eles próprios convocam, então, o apedrejamento da “zelite” e lá vêm as expropriações e os atos de “justiça social” (contra o “judeu” da vez, a imprensa, o Judiciário ou o que quer que esteja incomodando mais no momento…), com os quais os reis dos ladrões posam de heróis e garantem mais um século de poder devolvendo ao povo miserável migalhas do que lhe vêm roubando desde sempre.

Do Mestre de Avis, lá no nascimento de Portugal, ao Lula aqui da sua antiga colônia tem sido assim, sem tirar nem por. E o que tem garantido a perenização dessa arapuca é o apagamento sistemático da memória do povo que se obtém cultivando zelosamente a ignorância, esta que hoje é oficialmente louvada como uma espécie de benção remissora no país de Lula.
O estudo da História é que é a psicanálise das sociedades, Helena. Só quem sabe como e porque se tornou o que é pode recusar voltar aos caminhos para o abismo tantas vezes percorridos antes, escolher novos e, assim, mudar o que virá a ser no futuro.
A reforma, portanto, só terá efeito se começar por cima. A boa regra só se imporá, país abaixo, se for infalivelmente imposta ao primeiro da fila.

E aí, a receita básica é conhecida:
. todos são iguais perante a lei e não haverá foros nem prisões especiais;
. nenhum poder e nenhum dinheiro que não seja fruto do esforço e do mérito;
. ao crime deve corresponder infalivelmente o castigo…
Voltamos ao ponto de partida, Helena. Mas agora com os olhos fixos “lá”. “Eles” é que têm de se ver no espelho desse povo que disputa tão limpa e lindamente na avenida, e não o povo seguir se deformando para caber no espelho distorcido deles.
Entender isso claramente, afirmar sistematicamente essa visão, é tomar consciência de quem é que tem “a força“; é começar a agir.

Não, nem tudo está perdido. Há razões para sermos otimistas.
Na ressaca da queda do Congresso Nacional (Renan, Henrique Eduardo Alves) segui para os feriados do Carnaval, um tanto deprimido, com uma pergunta – “Porque o povo não reage?” (aqui) – e uma meia resposta – “Não ha ética, senhores. O que pode haver é polícia…” (aqui).
Três dias depois a leitora Helena Maria de Souza que, a julgar pelo que ela nos deixa entrever, é professora de escola pública, reagiu no espaço para comentários aqui doVespeiro, mas com outro desabafo parecido com o meu (aqui):
“Nós adoramos depender do Estado (pai patrão)…”, dizia ela.
“Tanto nas universidades quanto nos hospitais (públicos) o que mais se vê é a briga pelo poder”…
“É preciso que todos se sintam incapacitados, dependentes do Estado, dos governos e dos demagogos de plantão”…
“…revoltar-se contra o lulo-petismo implantado no país é ter de revoltar-se contra si mesmo. E deixar de se ver no espelho. Isto é possível?????
Com a palavra a psicanálise”.
Sim, Helena, tudo que você descreve é verdade.
Eu só discordo do verbo. Não é assim que nós somos. É assim que nós estamos.
E isso faz toda a diferença.
O homem é o bicho mais maleável da Natureza. O que mais rapidamente aprende com a adversidade e molda o seu comportamento para adaptar-se a ela.
Mas isso é uma faca de dois gumes.
Se esta característica jogou decisivamente a nosso favor enquanto se tratou de escapar ao jugo da Natureza, ela passou a jogar contra nós desde que, libertados dele, o problema passou a ser escapar ao jugo dos outros homens.
Você mencionou a “luta pelo poder”. Este é, pode-se dizer, um dos traços “recessivos” da nossa condição ancestral.
“Lutamos pelo poder” com as pernas e com os dentes enquanto foram essas as armas a definir quem tinha e quem não tinha o direito de transmitir os seus genes para mais adiante. Passaremos, eu espero, a faze-lo exclusivamente com o cérebro e a aplicação do conhecimento se chegarmos, um dia, a banir completamente a força bruta dessa contenda. Mas por enquanto, nesta fase intermediária em que nos encontramos, num ambiente onde a economia substitui a fome pura e simples que nos movia antes, a condição econômica de cada um é que passou a ser o fator de decisão.
As pernas e os caninos continuam lá, onde sempre estiveram, a nos lembrar do que essencialmente somos. Mas já não é a jugular do próximo que é preciso, literalmente, morder para ganhar o direito de continuar por aí e garantir um lugar para a sua posteridade. Basta aferrar-se a alguma boa veia da economia para garantir, para si e para os seus, um lugar ao sol.
A regra de ouro de Darwin – “sobrevivência dos mais adaptados” – continua valendo, intacta.
O que foi, então, que mudou?
Mudou quem faz a regra do jogo. Antes era a Natureza. E alterar a qualidade da regra estava totalmente fora do nosso alcance. Hoje a regra é feita por outros homens. Pode, portanto, ser alterada.
É a este progressivo ganho de manobrabilidade sobre a regra que se resume a epopéia que chamamos de “esforço civilizatório”.
O Brasil inteiro assistiu, por estes dias, os desfiles das escolas de samba do Rio e de São Paulo tantas vezes invocados, geralmente pelo lado negativo, como o retrato do que somos enquanto sociedade. Li que o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meireles, falou da complexa organização que esses desfiles envolvem, mas perdi a matéria quando saiu e não sei em que termos ele o fez. De qualquer maneira a observação é preciosa.
Uma escola de samba evoluindo pela avenida é algo muito mais complicado que os mecanismos de relojoaria que, no passado, fizeram a fama mundial do modo de organização suíço.
São quatro, cinco mil “peças” com funcionamento individual independente divididas em subconjuntos encadeados entre si, evoluindo todas no mesmo ritmo mas cada uma com movimentos e funções diferenciadas, um olho no todo outro no seu subtema particular (abre-alas, baianas, passistas, porta-bandeiras, alas temáticas, “bateras”, destaques, etc) fazendo evoluções complicadas em direção a um objetivo comum e executando esse todo com precisão milimétrica de tempo e espaço.
E tudo isso rola na maior alegria, sem falar nas enormes doses de criatividade, dedicação gratuita e altruísmo (ainda) envolvidas na coisa.
Ou seja, até na festa que, pela sua outra vertente, é sinônimo de esbórnia, o brasileiro é capaz de se organizar impecavelmente e vencer pelo merecimento desde que haja uma regra igual para todos e efetivamente imposta entre ele e o objetivo a ser conquistado.
Da esbórnia faz-se a ordem e a harmonia porque este é o único caminho para prevalecer na disputa por esse campeonato (a “luta pelo poder”) e cada erro, cada passo fora da regra custa, infalivelmente, a perda de pontos até o limite do rebaixamento ou da desclassificação.
É mais uma imitação da vida, como tudo que nós, humanos, “inventamos”, governos inclusive.
É aí que entra o meu ponto. O Brasil e os brasileiros não são, irremediavelmente, o que lhe parece que sejam neste momento de triunfo dos desviados. O Brasil e os brasileiros estãocomo você descreve, Helena, porque esta é a regra que lhes é imposta, desde “lá”, da mais alta tribuna que o país inteiro vê e ouve.
Quem não entra na putaria não entra na política. O bom comportamento é sistematicamente punido e a sacanagem infalivelmente premiada. Não é que lhes é dado exibi-lo; os corruptos literalmente esfregam o seu sucesso na cara do país; afirmam abertamente que foi através da corrupção que o obtiveram. E é de “lá” que a regra desce Brasil abaixo.
O país inteiro é capaz de apontar filho de que governo; fruto de que sacanagem é cada bilionário, cada mega empresário. No meio ambiente econômico em que vivemos, quem cumpre as regras civilizadas perde a condição de competir (interna e externamente). Perde a “luta pelo poder”. Perde o seu lugar ao sol.
Se o sucesso passa a ser uma confissão de culpa, instala-se a subversão geral. E, ironicamente, instala-se porque, ainda que com a maioria dançando conforme à música para sobreviver e “dar certo”, a noção de certo e errado, o senso de Justiça inato na nossa espécie, subsiste, como prova a sua própria manifestação, Helena.
Pois é em cima desses bons sentimentos que cinicamente atuam os fariseus da política, os mesmos de onde emana toda essa subversão. Se o sucesso é uma confissão de culpa, basta acionar essa tecla quando o desespero provocado por esse sistema de exploração passa da borda do suportável. Eles próprios convocam, então, o apedrejamento da “zelite” e lá vêm as expropriações e os atos de “justiça social” (contra o “judeu” da vez, a imprensa, o Judiciário ou o que quer que esteja incomodando mais no momento…), com os quais os reis dos ladrões posam de heróis e garantem mais um século de poder devolvendo ao povo miserável migalhas do que lhe vêm roubando desde sempre.
Do Mestre de Avis, lá no nascimento de Portugal, ao Lula aqui da sua antiga colônia tem sido assim, sem tirar nem por. E o que tem garantido a perenização dessa arapuca é o apagamento sistemático da memória do povo que se obtém cultivando zelosamente a ignorância, esta que hoje é oficialmente louvada como uma espécie de benção remissora no país de Lula.
O estudo da História é que é a psicanálise das sociedades, Helena. Só quem sabe como e porque se tornou o que é pode recusar voltar aos caminhos para o abismo tantas vezes percorridos antes, escolher novos e, assim, mudar o que virá a ser no futuro.
A reforma, portanto, só terá efeito se começar por cima. A boa regra só se imporá, país abaixo, se for infalivelmente imposta ao primeiro da fila.
E aí, a receita básica é conhecida:
. todos são iguais perante a lei e não haverá foros nem prisões especiais;
. nenhum poder e nenhum dinheiro que não seja fruto do esforço e do mérito;
. ao crime deve corresponder infalivelmente o castigo…
Voltamos ao ponto de partida, Helena. Mas agora com os olhos fixos “lá”. “Eles” é que têm de se ver no espelho desse povo que disputa tão limpa e lindamente na avenida, e não o povo seguir se deformando para caber no espelho distorcido deles.
Entender isso claramente, afirmar sistematicamente essa visão, é tomar consciência de quem é que tem “a força“; é começar a agir.
5 de jan. de 2013
Desde os tempos do Onça
por Kátia Abreu
Alceu
Amoroso Lima anotava como uma das distorções de origem do Brasil o fato de que
aqui o Estado surgiu antes da nação. Antes de haver povo, que seria importado
de Portugal e da África, já o Estado colonial se instalava com suas leis e
privilégios.
Não
é casual que nosso primeiro cronista, Pero Vaz de Caminha, fosse um escrivão da
Corte a chancelar a presença, ainda hoje atuante, do Estado cartorial. Na carta
em que descreve suas impressões do Brasil, pede, a certa altura, um emprego na
Corte para um sobrinho que estava na África. Dava curso, assim, a um costume
ainda atual. "Senhor, nesta terra todos roubam" --começava assim,
mais de dois séculos depois, em 1724, um relatório do coronel Luís Vahia
Monteiro, nomeado governador do Rio de Janeiro pelo rei dom João 5º, preocupado
com a crescente redução de receitas públicas na colônia sul-americana.
Roubo.
Vahia,
apelidado de "o Onça" pela ferocidade com que combatia a corrupção,
era coronel da infantaria do Reino. O rei, que lhe tinha cega confiança,
incumbiu-o da missão de promover uma faxina moral na administração da colônia.
Nada de novo, não é? Após minuciosa vistoria, Onça concluiu o que está em
síntese na frase com que iniciou o seu relatório. É uma frase que, nos três
ciclos da história política do país --colônia, monarquia e república--, jamais
perdeu atualidade.
Não,
não se trata de um traço perverso do caráter do brasileiro, até porque somos
uma mescla de muitas culturas e etnias. Até fins do século 19, nossa população
era fruto da presença de três povos: o índio, o europeu ibérico e o africano
--e da mestiçagem que daí resultava. Já no final daquele século, novas
correntes migratórias aqui aportaram: japoneses, alemães, libaneses, poloneses,
italianos etc., mudando o perfil da população. Também esses povos se
miscigenaram aos que aqui encontraram, mas os padrões de gestão da coisa
pública não mudaram muito.
O
que explicaria isso? Chegou-se até a cogitar que a mestiçagem gerava perversões
insanáveis, que explicariam, entre outras coisas, a corrupção brasileira. Como
a corrupção é um fenômeno universal e atemporal, a tese não teve curso. Sem
pretender simplificar algo tão complexo, arrisco a dizer que a onipresença do
Estado, que perpassa as diversas fases históricas do país --e é também uma
moléstia planetária--, é uma das razões fundamentais do desconcerto brasileiro.
Quanto
mais Estado, menor governabilidade --e, em decorrência, maior chance para a
corrupção. O Estado, quando extrapola as funções para as quais foi criado,
torna-se um agente da corrupção. É como o dito popular sobre a esperteza:
quando é muita, vira bicho e come o dono.
O
Estado brasileiro agigantou-se nos últimos tempos. Já se havia hipertrofiado ao
tempo do presidente Geisel, que criou mais estatais que a soma de seus
antecessores. Houve, na sequência da redemocratização, pálidas iniciativas reformistas,
visando a reduzi-lo e a enquadrá-lo nas suas efetivas atribuições. Mas o vício
de origem, citado por Alceu Amoroso Lima, parece falar mais alto. Privatização,
ignorada por seus detratores, tornou-se palavrão e arma de intimidação
eleitoral.
O
lema fascista e comunista --"tudo pelo Estado, tudo para o Estado e nada
fora do Estado"-- é uma realidade cultural brasileira desde os tempos do
Onça, contaminando a economia, o empreendedorismo e a moral no trato da coisa
pública. Que adianta combater os mensalões sem ir à origem da moléstia?
Combate-se o sintoma, e não a doença, que, no caso brasileiro, chama-se Estado
hipertrofiado. É como enxugar o chão com a torneira aberta.
A
corrupção só será sanada (na medida em que isso é possível) quando o país
promover aquela que é a prioridade das prioridades: a reforma efetiva do
Estado. Aí, sim, começaremos a enfrentar de fato as moléstias que decorrem de
seu gigantismo: corrupção, burocracia, crise federativa, engessamento da
economia, bagunça tributária e, sobretudo, o abismo entre povo e nação.
20 de jun. de 2012
O Livro Negro do comunismo
Artigo
de Roberto Campos
para a Folha de S. Paulo e O Globo, 19/04/98
para a Folha de S. Paulo e O Globo, 19/04/98
"Le livre noir du communisme" (Edições Robert Laffont, Paris, 1997), escrito por seis historiadores europeus, com acesso a arquivos soviéticos recém-abertos, é uma espécie de enciclopédia da violência do comunismo. O chamado "socialismo real" foi uma tragédia de dimensões planetárias, superior em abrangência e intensidade ao seu êmulo totalitário do entreguerras - o nazifascismo.
Ao contrário da repressão episódica e acidental das ditaduras latino-americanas, a violência comunista se tornou um instrumento político-ideológico, fazendo parte da rotina de governo. Essa sistematização do terror não é rara na história humana, tendo repontado na Revolução Francesa do século 18 na fase violenta do jacobinismo, na "industrialização do extermínio judaico" pelos nazistas, e - confesso-o com pudor - na inquisição da Igreja Católica, que durante séculos queimava os corpos para purificar as almas.
O "Livre noir" me veio às mãos num momento oportuno em que, reaberto na mídia e no Congresso o debate sobre a violência de nossos "anos de chumbo" nas décadas de 60 e 70, me pusera a reler o "Brasil Nunca Mais", editado em 1985 pela Arquidiocese de São Paulo.
Comparados os dois, verifica-se que o Brasil não ultrapassou o abecedário da violência, palco que foi de um miniconflito da Guerra Fria, enquanto que o "Livre noir" é um tratado ecumênico sobre as depravações ínsitas do comunismo, este sem dúvida o experimento mais sangrento de toda a história humana.
Produziu quase 100 milhões de vítimas, em vários continentes, raças e culturas, indicando que a violência comunista não foi mera aberração da psique eslava, mas, sim, algo diabolicamente inerente à engenharia social marxista, que, querendo reformar o homem pela força, transforma os dissidentes primeiro em inimigos e, depois, em vítimas.
A aritmética macabra do comunismo assim se classifica por ordem de grandeza: China (65 milhões de mortos); União Soviética (20 milhões); Coréia do Norte (2 milhões); Camboja (2 milhões); África (1,7 milhão, distribuído entre Etiópia, Angola e Moçambique); Afeganistão (1,5 milhão); Vietnã (1 milhão); Leste Europeu (1 milhão); América Latina (150 mil entre Cuba, Nicarágua e Peru); movimento comunista internacional e partidos comunistas no poder (10 mil).
O comunismo fabricou três dos maiores carniceiros da espécie humana - Lênin, Stálin e Mao Tse-tung. Lênin foi o iniciador do terror soviético. Enquanto os czares russos em quase um século (
Alguns líderes do Terceiro Mundo figuram com distinção nessa galeria de assassinos. Em termos de percentagem da população, o campeão absoluto foi Pol Pot, que exterminou em 3,5 anos um quarto da população do Camboja.
Fidel Castro, por sua vez, é o campeão absoluto da "exclusão social", pois 2,2 milhões de pessoas, equivalentes a 20% da população da ilha, tiveram de fugir. Juntamente com o Vietnã, Fidel criou uma nova espécie de refugiado, o "boat people" - ou seja, os "balseros", milhares dos quais naufragaram, engordando os tubarões do Caribe.
A vasta maioria dos países comunistas é culpada dos três crimes definidos no artigo 6º do Estatuto de Nuremberg: crimes contra a paz, crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
A discussão brasileira sobre os nossos "anos de chumbo" raramente situa as coisas no contexto internacional da Guerra Fria, a qual alcançou seu apogeu nos anos 60 e 70, provocando um "refluxo autoritário" no Terceiro Mundo. Houve intervenções militares no Brasil e na Bolívia em 1964, na Argentina em 1966, no Peru em 1968, no Equador em 1972, e no Uruguai em 1973.
Fenômeno idêntico ocorreu em outros continentes. Os militares coreanos subiram ao governo em 1961 e adquiriram poderes ditatoriais em 1973. Houve golpes militares na Indonésia em 1965, na Grécia em 1967 e, nesse mesmo ano, o presidente Marcos impunha a lei marcial nas Filipinas, e Indira Gandhi declarava um "regime de emergência". Em Taiwan e Cingapura houve autoritarismo civil sob um partido dominante.
O grande mérito dos regimes democráticos é preservar os direitos humanos, estigmatizando qualquer iniciativa de violá-los. Mas por lamentáveis que sejam as violências e torturas denunciadas no "Brasil, Nunca Mais", elas empalidecem perto das brutalidades do comunismo cubano, minudenciadas no "Livre noir".
Comparados ao carniceiro profissional do Caribe, os militares brasileiros parecem escoteiros destreinados apartando um conflito de subúrbio... Enquanto Fidel fuzilou entre 15 mil e 17 mil pessoas (sendo 10 mil só na década de 60), o número de mortos e desaparecidos no Brasil, entre 1964 e
Em 1978, quando
Não houve prisões brasileiras comparáveis a
Este, como procurador-geral, foi comandante da prisão
A repressão comunista tem características particularmente selvagens. A responsabilidade é "coletiva", atingindo não apenas as pessoas, mas as famílias. É habitual o recurso a trabalhos forçados, em campos de concentração. Não há separação carcerária, ou mesmo judicial, entre criminosos comuns e políticos. Em Cuba, criou-se um instituto original, o da "periculosidade pré-delitual", podendo a pessoa ser presa por mera suspeita das autoridades, independentemente de fatos ou ações.
Causa-me infinda perplexidade, na mídia internacional e em nosso discurso político local, a "angelização" de Fidel e Guevara e a "satanização" de Pinochet. Isso só pode resultar de ignorância factual ou de safadeza ideológica.
Pinochet foi ditador por 17 anos; Fidel está no poder há 39 anos. Pinochet promoveu a abertura econômica e iniciou a redemocratização do país, retirando-se após derrotado em plebiscito e em eleições democráticas como senador vitalício (solução que, se imitada em Cuba, facilitaria o fim do embargo).
Fidel considera uma obscenidade a alternância no poder, preferindo submeter a nação cubana à miséria e à fome, para se manter ditador. Pinochet deixou a economia chilena numa trajetória de crescimento sustentado de 6,5% ao ano. Antes de Fidel, a economia cubana era a terceira em renda por habitante entre os latino-americanos e hoje caiu ao nível do Haiti e da Bolívia.
O Chile exporta capitais, enquanto Fidel foi um pensionista da União Soviética e, agora, para arranjar divisas, conta com remessas de exilados e receitas de turismo e prostituição. Em termos de violência, o número de mortos e desaparecidos no Chile foi estimado em 3.000, enquanto Fidel fuzilou 17 mil!
Apesar de fronteiras terrestres porosas, o Chile, com população comparável à de Cuba e sem os tubarões do Caribe, sofreu um êxodo de apenas 30 mil chilenos, hoje em grande parte retornados. Sob Fidel, 20% da população da ilha, ou seja, algo que nas dimensões brasileiras seria comparável à Grande São Paulo, teve de fugir.
Em suma, Pinochet submeteu-se à democracia e tem bom senso
Parece-me ingenuidade histórica imaginar que, na ausência da revolução de 1964, o Brasil manteria apenas com alguns tropeços sua normalidade democrática. A verdade é que Jango Goulart não planejara minimamente sua sucessão, gerando suspeitas de continuísmo. E estava exposto a ventos de radicalização de duas origens: a radicalização sindical, que levaria à hiperinflação, e a radicalização ideológica, pregada por Brizola e Arraes, que podia resultar em guerra civil.
É sumamente melancólico - porém não irrealista - admitir-se que, no albor dos anos 60, este grande país não tinha senão duas miseráveis opções: "anos de chumbo" ou "rios de sangue"...
Roberto Campos foi economista, político, diplomata e escritor.
27 de mai. de 2011
Baita explicação
O "processo de paz" como uma representação simbólica do bem e do mal
por Lawrence Auster
Original: The "peace process" as a symbolic representation of good and evil
Tradução: DEXTRA
Por que Obama exige que Israel abra mão de um território essencial para sua segurança, que o país possui e desenvolve há 44 anos, mas não exige que o Hamas elimine de sua Carta o chamado à destruição de Israel?
A resposta se encontra no "roteiro" do esquerdismo moderno, no qual todos os fenômenos da sociedade esquerdista são automaticamente encaixados. Como já expliquei antes, o roteiro esquerdista tem três personagens: (1) o esquerdista, que representa o princípio da bondade, definida como compaixão para com e inclusão dos não-brancos/não-ocidentais e outras vítimas; (2) o não-esquerdista, que representa o princípio do mal, definido como ganância, discriminação e intolerância para com não-brancos/não-ocidentais e outras vítimas; e (3) o não-branco/não-ocidental ou outra vítima, que não é ele mesmo um ator moral, nem mesmo um ser humano totalmente formado, porque sua função no roteiro não é fazer nada, mas sim ser o recipiente passivo ou da bondade do esquerdista ou da maldade do não-esquerdista. Se o não-branco/não-ocidental fosse um ator moral, então suas próprias ações, inclusive suas más ações, teriam que ser julgadas. Mas julgá-lo negativamente seria discriminá-lo, o que viola o próprio significado e propósito do esquerdismo -- a eliminação de toda a discriminação contra não-brancos-não-ocidentais como as vítimas históricas da maldade não-esquerdista. Portanto, o não-branco/não-ocidental não pode ser visto como um ator moral -- como um ser humano que age e é responsável por suas ações.
No "processo de paz", Obama é o esquerdista que busca uma política de generosidade e compaixão em relação ao não-branco/não-ocidental, i.e., os palestinos. Netanyahu é o não-esquerdista (não que ele necessariamente seja um não-esquerdista na realidade, mas ele recebe este papel no roteiro), que rejeita qualquer ato de generosidade, qualquer "concessão", para com os palestinos. Por fim, há os próprios palestinos, as vítimas não-ocidentais das quais nada se espera, nem mesmo que eliminem o chamado em sua Carta à destruição de Israel. Sua única função é revelar, pelas ações de outros em relação a eles, a bondade ou o mal destes outros. Obama busca dar aos palestinos seu próprio estado, então Obama é generoso, inclusivo e bom. Netanyahu se recusa a dar aos palestinos seu próprio estado, então Netanyahu é ganancioso, excludente e mal.
Este é o significado inteiro do "processo de paz" e a razão pela qual ele continua para sempre, muito embora ele não se aproxime do sucesso e, por sua própria natureza (dadas as reais intenções assassinas dos palestinos para com Israel), ele não possa se aproximar do sucesso. O retrato feito pela mídia esquerdista da questão israelense-palestina é uma representação simbólica da visão esquerdista do mundo e da virtude moral dos esquerdistas. Através da constante repetição desta representação simbólica, a sociedade esquerdista -- quer dizer, o domínio esquerdista sobre a sociedade -- é continuamente re-legitimado, revitalizado e renovado.
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