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24 de ago. de 2014
20 de mar. de 2014
10 de mar. de 2014
1 de mar. de 2014
20 de dez. de 2013
Síntese
O "descamisado" vê o "governo humanitário" como aquele que quer salvá-lo...
... mas não vê que este poderia, se quisesse, dar-lhe condições de subir por seus próprios méritos.
16 de dez. de 2013
Você sabe o que é MAV?
por Demetrio Magnoli
Inventada no 4º Congresso do PT, em 2011, a sigla significa Militância em Ambientes Virtuais. São
núcleos de militantes treinados para operar na internet, em publicações e redes
sociais, segundo orientações partidárias. A ordem é fabricar correntes
volumosas de opinião articuladas em torno dos assuntos do momento. Um centro
político define pautas, escolhe alvos e escreve uma coleção de frases básicas.
Os militantes as difundem, com variações pequenas, multiplicando suas vozes
pela produção em massa de pseudônimos. No fim do arco-íris, um Pensador
Coletivo fala a mesma coisa em todos os lugares, fazendo-se passar por
multidões de indivíduos anônimos. Você pode não saber o que é MAV, mas ele
conversa com você todos os dias.
O Pensador Coletivo se
preocupa imensamente com a crítica ao governo. Os sistemas políticos
pluralistas estão sustentados pelo elogio da dissonância: a crítica é benéfica
para o governo porque descortina problemas que não seriam enxergados num regime
monolítico. O Pensador Coletivo não concorda com esse princípio democrático:
seu imperativo é rebater a crítica imediatamente, evitando que o vírus da
dúvida se espalhe pelo tecido social. Uma tática preferencial é acusar o
crítico de estar a serviço de interesses de malévolos terceiros: um partido
adversário, "a mídia", "a burguesia", os EUA ou tudo isso
junto. É que, por sua própria natureza, o Pensador Coletivo não crê na hipótese
de existência da opinião individual.
O Pensador Coletivo abomina
argumentos específicos. Seu centro político não tem tempo para refletir sobre
textos críticos e formular réplicas substanciais. Os militantes difusores não
têm a sofisticação intelectual indispensável para refrasear sentenças complexas.
Você está diante do Pensador Coletivo quando se depara com fórmulas genéricas
exibidas como refutações de argumentos específicos. O uso dos termos
"elitista", "preconceituoso" e "privatizante",
assim como suas variantes, é um forte indício de que seu interlocutor não é um
indivíduo, mas o Pensador Coletivo.
O Pensador Coletivo
interpreta o debate público como uma guerra. "A guerra de guerrilha na
internet é a informação e a contrainformação", explica o deputado André
Vargas, um chefe do MAV. No seu mundo ideal, os dissidentes seriam enxotados da
praça pública. Como, no mundo real, eles circulam por aí, a alternativa é
pregar-lhes o rótulo de "inimigos do povo". Você provavelmente
conversa com o Pensador Coletivo quando, no lugar de uma resposta argumentada,
encontra qualificativos desairosos dirigidos contra o autor de uma crítica cujo
conteúdo é ignorado. "Direitista", "reacionário" e
"racista" são as ofensas do manual, mas existem outras. Um expediente
comum é adicionar ao impropério a acusação de que o crítico "dissemina o
ódio".
O Pensador Coletivo é uma
máquina política regida pela lógica da eficiência, não pela ética do
intercâmbio de ideias. Por isso, ele nunca se deixa intimidar pela exigência de
consistência argumentativa. Suzana Singer seguiu a cartilha do Pensador
Coletivo ao rotular o colunista Reinaldo Azevedo como um "rottweiler
feroz" para, na sequência, solicitar candidamente um "bom nível de
conversa". Nesse passo, trocou a função de ombudsman da Folha pela de
Censora de Opinião. Contudo, ela não pertence ao MAV. Os procedimentos do
Pensador Coletivo estão disponíveis nas latas de lixo de nossa vida pública:
mimetizá-los é, apenas, uma questão de gosto.
Existem similares ao MAV em
outros partidos? O conceito do Pensador Coletivo ajusta-se melhor às correntes
políticas que se acreditam possuidoras da chave da porta do Futuro. Mas, na era
da internet, e na hora de uma campanha eleitoral, o invento será copiado. Pense
nisso pelo lado bom: identificar robôs de opinião é um joguinho que tem a sua
graça.
13 de dez. de 2013
Reinaldo Azevedo na Folha de S.Paulo
O eixo OAB-PT-STF
13/12/2013
OAB, STF e PT resolveram se juntar contra a democracia. O tribunal está prestes a declarar inconstitucional a doação de empresas para campanhas eleitorais, aprovada em 1993, e a restringir a de pessoas físicas. Se acontecer, o primeiro e óbvio efeito será o aumento brutal do caixa dois. O sistema político voltará à clandestinidade da qual havia parcialmente saído há 20 anos e que resultou, por exemplo, no Collorgate. Essa "conspiração dos éticos" de calça curta chega a ser asquerosa. Trata-se de um truque vulgar na América Latina bolivarianizada. Na região, não se dão mais golpes com tanques, mas com leis. Usa-se a democracia para solapá-la. E o Judiciário tem sido peça fundamental da delinquência política. Se o financiamento não pode ser privado, terá de ser público. O STF, que não foi eleito para legislar, definirá que o Congresso é livre para fazer a escolha única. O "novo constitucionalismo" é só bolivarianismo com sotaque praieiro. Engana trouxas com seu jeitinho beagle de ser. Um rottweiler do estado democrático e de direito logo reage. O PT já havia tentado extinguir as doações privadas. Não deu certo. Agora a OAB, que pede a inconstitucionalidade da atual lei, serve-lhe de instrumento para o golpe togado, no tapetão. O que o partido tem com isso? Explica-se. Numa argumentação confusa, preconceituosa, Luiz Fux, o relator, vituperou contra a participação do dinheiro privado em eleições. Ele acha que o capitalismo distorce a democracia, cantilena repetida por outros. Falta-lhes bibliografia para constatar que, felizmente, a democracia é que distorceu o capitalismo. Fux sustenta que partidos com mais financiamento privado têm mais votos. Toma o efeito como causa: quem tem mais votos é que tem mais financiamento privado. Sob a lei atual, uma legenda com então seis anos de existência, o PSDB, venceu a eleição presidencial de 1994 e se reelegeu em 1998. Em 2002, perdeu para uma outra, nascida nanica em 1980: o PT. Está em seu terceiro mandato. A consequência natural do acolhimento da ADI é o financiamento público. Os petistas apresentarão uma emenda popular com esse conteúdo. É operação casada com a OAB. Como distribuir o dinheiro? Ou o critério seria o tamanho da bancada na Câmara ou o número de votos na eleição anterior. O principal beneficiado seria o PT. Uma vantagem presente e transitória seria transformada em ativo permanente. Sindicatos, movimentos sociais e ONGs já atuam como cabos eleitorais do PT, e a massiva propaganda institucional é mera campanha eleitoral disfarçada. O partido quer agora que a supremacia alcançada ao longo de 20 anos de financiamento privado impeça seus adversários de tentar o mesmo caminho. Eles se tornariam reféns do status alcançado pelo petismo. Há um aspecto adicional: partidos que têm de se financiar na sociedade obrigam-se a dialogar, a estabelecer pactos, a modular a ação segundo os valores da comunidade que pretendem governar. Se o dinheiro é garantido por um cartório, amplia-se o espaço do seu arbítrio, não o de sua independência. Fux atribuiu até a ainda pequena presença de mulheres na política ao financiamento privado. Sei. O capital é feio, sujo, malvado e machista. É um caso de falácia lógica, sintetizada na expressão latina "post hoc ergo propter hoc" - ou: "depois disso, logo, por causa disso". Dilma é presidente "apesar do capital" ou "por causa do capital"? Nem uma coisa nem outra. As duas conclusões são estúpidas. De resto, de 1994 a esta data, na vigência do financiamento privado, o número de mulheres na política aumentou. Por causa dele ou apesar dele? P.S. - "Você já elogiou o STF e agora ataca." Desculpem este modo de ser: quando gosto, digo "sim"; quando não, "não". Parece exótico?
11 de ago. de 2013
Lula, o idiota maior, e a grande revolta dos imbecis
por Luís Dolhnikoff
Antes que algum idiota hipotético e conotativo pense em me processar por difamação, injúria, calúnia ou qualquer outra fina figura jurídica, esclareço e adianto que a palavra idiota no título e no restante do texto é usada em sua condição denotativa. Nesta, a palavra, derivada diretamente do grego idiotés, significa privado, particular, em oposição a público e a político. Pois no mesmo grego, político, ou melhor, politikós, é o relativo à comunidade, à cidade, mais exatamente, à pólis. O cidadão (habitante da cidade) que a ela se dedica é, portanto, politikós – enquanto aquele que lhe dá as costas para cuidar de seus negócios pessoais, particulares, privados (numa palavra, idiói), é um idiotés.
A conotação de imbecil, burro e/ou cretino, em todos os sentidos destes termos (cretino, por exemplo, é originalmente um termo médico, equivalente a débil mental), que a palavra idiota adquiriu, advém do fato de que, para os gregos, só podia haver vida inteligente no âmbito politikós, em que um homem era posto à prova, ao mesmo tempo, em suas virtudes e em suas capacidades, incluindo iniciativa, coragem, conhecimento, honestidade e discurso político para falar na assembleia dos cidadãos; nada disso era demandado ou testado no cuidar de seus negócios particulares.
Mas Lula é, por profissão, um político. Se é, ao mesmo tempo, um idiota, é um idiota político, ou um político idiota, o que denotativamente é igual. Igual e igualmente contraditório: pois como pode um homem ser ao mesmo tempo dedicado à pólis, à política, à coisa pública, e se dedicar apenas às suas questões pessoais, particulares, e ser assim um idiota? A resposta está na traição da política, na sua inversão ou subversão. Se a política perde sua substância ou natureza de coisa pública, passa a ser idiota sem com isso se tornar contraditória. Pois sua contradição estaria, então, com a própria política em seu sentido original.
Tudo fica mais claro ao se comparar e contrastar com outro par de conceitos, o político e o estadista. Se o político é aquele que se dedica à pólis, o estadista é quem se dedica ao Estado. Mas isto em suas denotações, que, neste caso, esclarecem pouco ou nada face às suas conotações. Começando pelo último, um estadista é o político que deixa de lado seus interesses particulares pelo interesse maior do país. O caso paradigmático notório da política contemporânea é Nelson Mandela. Depois de 27 anos de prisão, foi libertado e alçado à condição de presidente. Mas exerceu apenas um mandato, sequer se candidatando à reeleição. Houve vários motivos, mas o principal e talvez menos conhecido foi o fato de que Mandela afrontou a maioria das demais lideranças do CNA (Congresso Nacional Africano), seu partido e maior partido do país, a fim de barrar o caminho da revanche ou vingança contra a minoria branca, depois do fim do apartheid. Essa tendência era forte o bastante no partido para que Mandela tivesse de usar todo seu cacife político a fim de abortá-la, com isso evitando uma guerra civil e a destruição do país. Mas também garantindo o fim de sua curta e tardia estadia no poder. Ao contrário e à diferença do estadista, o político comum deixa de lado os interesses maiores do país por seus interesses pessoais. Portanto, apesar da aparente contradição, a maioria absoluta dos políticos é idiota. No caso brasileiro, Lula é, então, apenas o mais idiota deles. Ou o maior idiota entre eles.
Depois de vinte anos de oposição, em que Lula e o PT firmaram e afirmaram serem um político e um partido políticos, que queriam chegar ao poder para tirá-lo das mãos dos idiotas, dos grupos de oligarcas que loteavam o Estado em causa própria, para devolver o Estado à cidadania, à cidade, à pólis, o que se viu foi o contrário. Ou seja, a transformação do PT e de Lula em mais um partido e em mais um político idiotas, ocupados e preocupados em seu interesse maior, principal e, no limite, único, seu projeto particular (ou idiota) de poder. Isto é fato notório e indiscutível. Menos notório hoje, pois relativamente esquecido (ainda que igualmente indiscutível), foi o primeiro e principal motivo alegado para tal transformação. Ele pode ser resumido na palavra “governabilidade”, e assim traduzido: as reformas que fariam do Brasil um Estado cidadão, em vez de um Estado ladrão ou idiota, que toma muito de quase todos para dar muito a poucos e muito pouco aos demais, ou seja, as reformas política, fiscal, jurídica e educacional, para começar, não foram então implantadas porque o “sistema político” idiota não o permitiu. Logo, façamos o possível – o que, na prática, se traduziu em não fazer nada para transformar o Estado brasileiro de idiota para político. Mas já que estamos aqui, ao menos usemos o idiota do Estado brasileiro para servir ao nosso próprio grupo de políticos idiotas. Afinal, somos idiotas, mas não imbecis.
Há todavia um porém: Lula e o PT tinham, quando de sua primeira eleição presidencial, um cacife político enorme, que ninguém jamais soube ou saberá se suficiente para afrontar, ao menos em parte, e em que parte, a arraigada idiotia da política nativa. Porque esse afrontamento, em nome das reformas que eram a própria razão histórica e política do PT e de Lula, não foi na verdade tentado. Se não foi tentado, afirmar, como fariam depois Lula e o PT, que era a priori impossível, é retórica, falácia, sofisma ou mentira. O fato insofismável é que Lula e o PT logo se tornaram apenas e simplesmente uma nova parte da velha massa de políticos idiotas, e estamos conversados.
É a idiotia do PT em geral e de Lula em particular que explica a recente revolta da cidadania brasileira contra a idiotia da política nacional. Pois se o partido e o líder que se fizeram historicamente, no período posterior à ditadura militar, como aqueles que repolitizariam essa política, ou a desidiotizariam, não o fizeram, e se além de não o fazerem a reforçaram, tornando-se os mais idiotas da política nativa, ou seja, os mais agarrados ao seu projeto particular de poder, deixava então de existir, em todo o espectro político brasileiro, qualquer opção dirigida a essa repolitização ou a essa desidiotização da política.
Nesse contexto, o papel do mais que idiota governo Dilma, com sua aliança figadal com os maiores idiotas políticos do país, conhecidos como oligarcas ou fisiológicos, agrupados em siglas como o PMDB e atendendo por nomes como José Sarney, Renan Calheiros e Paulo Maluf (apoiador do candidato de Dilma, de Lula e do PT em São Paulo, Fernando Haddad), foi o de confirmar e reconfirmar, depois da radicalmente idiota “era Lula” (cujo grande esforço político seria afinal fazer seu sucessor, a própria Dilma), o completo abandono, pelo PT, do resgate da política pelo combate à idiotia. Com isto confirmado e reconfirmado, não havia mais saída da idiotização da política senão fora da política idiota. O que explica a cidadania tomar as cidades, único caminho restante para retomar o que é da pólis, a política que merece o nome.
Lula, o grande idiota da política brasileira contemporânea, está, portanto, completamente certo quando afirma e reafirma, como vem afirmando e reafirmando, que a recente revolta popular no Brasil se deve aos seus governos. Não, obviamente, para quem não é minimamente estúpido, pelos motivos que alega, ou seja, suas “grandes conquistas”: segundo Lula, o idiota maior da política menor brasileira, que portanto acredita poder enganar a todos todo o tempo, o aumento de consumo “por ele” conquistado seria a causa dessa revolta, pois os perfeitos imbecis dos cidadãos brasileiros, ao perceberem, por obra e graça de Lulinha, o Grande, que podiam consumir, não se contentariam mais em ser tratados, digamos, como perfeitos imbecis pelo Estado idiota brasileiro, como sempre o foram. Ocorre que tais famosas “conquistas” lulopetistas não incluem nenhuma das reformas históricas necessárias para resgatar a política brasileira – pois limitadas, fundamentalmente, a esse famoso aumento de consumo pelos mais despossuídos, sem sequer o incremento da produção e da produtividade, pelo lado econômico, ou da educação, pelo lado da cidadania. E sem falar do exercício podre do poder. Cuja podridão se espalha, afinal, por todo o país, envolvendo desde a infraestrutura física (daí a famosa “[i]mobilidade urbana” tornar-se um problema intratável) até a superestrutura moral (daí o país ser o infame recordista planetário de mortes por assassinato). O Brasil é, enfim, um país apodrecido (podre o poder, podre a educação pública, podre a saúde pública, podre a segurança pública, podre tudo o que é público), liderado por idiotas e habitado por imbecis. Até ontem.
De fato, a recente revolta popular no Brasil se deve diretamente aos governos da “era Lula”, incluindo o de sua sucessora, seguidora e títere: mas apenas porque tais governos foram a maior e a mais evidente traição histórica recente à promessa jamais resgatada, por nossa superidiota classe política, de politizar a política brasileira. Isto será então necessariamente feito, não importa como, pelos ex-imbecis, afinal desimbecilizados pela insuportável demora dos inquilinos do poder em se desidiotizar.
Antes que algum idiota hipotético e conotativo pense em me processar por difamação, injúria, calúnia ou qualquer outra fina figura jurídica, esclareço e adianto que a palavra idiota no título e no restante do texto é usada em sua condição denotativa. Nesta, a palavra, derivada diretamente do grego idiotés, significa privado, particular, em oposição a público e a político. Pois no mesmo grego, político, ou melhor, politikós, é o relativo à comunidade, à cidade, mais exatamente, à pólis. O cidadão (habitante da cidade) que a ela se dedica é, portanto, politikós – enquanto aquele que lhe dá as costas para cuidar de seus negócios pessoais, particulares, privados (numa palavra, idiói), é um idiotés.
A conotação de imbecil, burro e/ou cretino, em todos os sentidos destes termos (cretino, por exemplo, é originalmente um termo médico, equivalente a débil mental), que a palavra idiota adquiriu, advém do fato de que, para os gregos, só podia haver vida inteligente no âmbito politikós, em que um homem era posto à prova, ao mesmo tempo, em suas virtudes e em suas capacidades, incluindo iniciativa, coragem, conhecimento, honestidade e discurso político para falar na assembleia dos cidadãos; nada disso era demandado ou testado no cuidar de seus negócios particulares.
Mas Lula é, por profissão, um político. Se é, ao mesmo tempo, um idiota, é um idiota político, ou um político idiota, o que denotativamente é igual. Igual e igualmente contraditório: pois como pode um homem ser ao mesmo tempo dedicado à pólis, à política, à coisa pública, e se dedicar apenas às suas questões pessoais, particulares, e ser assim um idiota? A resposta está na traição da política, na sua inversão ou subversão. Se a política perde sua substância ou natureza de coisa pública, passa a ser idiota sem com isso se tornar contraditória. Pois sua contradição estaria, então, com a própria política em seu sentido original.
Tudo fica mais claro ao se comparar e contrastar com outro par de conceitos, o político e o estadista. Se o político é aquele que se dedica à pólis, o estadista é quem se dedica ao Estado. Mas isto em suas denotações, que, neste caso, esclarecem pouco ou nada face às suas conotações. Começando pelo último, um estadista é o político que deixa de lado seus interesses particulares pelo interesse maior do país. O caso paradigmático notório da política contemporânea é Nelson Mandela. Depois de 27 anos de prisão, foi libertado e alçado à condição de presidente. Mas exerceu apenas um mandato, sequer se candidatando à reeleição. Houve vários motivos, mas o principal e talvez menos conhecido foi o fato de que Mandela afrontou a maioria das demais lideranças do CNA (Congresso Nacional Africano), seu partido e maior partido do país, a fim de barrar o caminho da revanche ou vingança contra a minoria branca, depois do fim do apartheid. Essa tendência era forte o bastante no partido para que Mandela tivesse de usar todo seu cacife político a fim de abortá-la, com isso evitando uma guerra civil e a destruição do país. Mas também garantindo o fim de sua curta e tardia estadia no poder. Ao contrário e à diferença do estadista, o político comum deixa de lado os interesses maiores do país por seus interesses pessoais. Portanto, apesar da aparente contradição, a maioria absoluta dos políticos é idiota. No caso brasileiro, Lula é, então, apenas o mais idiota deles. Ou o maior idiota entre eles.
Depois de vinte anos de oposição, em que Lula e o PT firmaram e afirmaram serem um político e um partido políticos, que queriam chegar ao poder para tirá-lo das mãos dos idiotas, dos grupos de oligarcas que loteavam o Estado em causa própria, para devolver o Estado à cidadania, à cidade, à pólis, o que se viu foi o contrário. Ou seja, a transformação do PT e de Lula em mais um partido e em mais um político idiotas, ocupados e preocupados em seu interesse maior, principal e, no limite, único, seu projeto particular (ou idiota) de poder. Isto é fato notório e indiscutível. Menos notório hoje, pois relativamente esquecido (ainda que igualmente indiscutível), foi o primeiro e principal motivo alegado para tal transformação. Ele pode ser resumido na palavra “governabilidade”, e assim traduzido: as reformas que fariam do Brasil um Estado cidadão, em vez de um Estado ladrão ou idiota, que toma muito de quase todos para dar muito a poucos e muito pouco aos demais, ou seja, as reformas política, fiscal, jurídica e educacional, para começar, não foram então implantadas porque o “sistema político” idiota não o permitiu. Logo, façamos o possível – o que, na prática, se traduziu em não fazer nada para transformar o Estado brasileiro de idiota para político. Mas já que estamos aqui, ao menos usemos o idiota do Estado brasileiro para servir ao nosso próprio grupo de políticos idiotas. Afinal, somos idiotas, mas não imbecis.
Há todavia um porém: Lula e o PT tinham, quando de sua primeira eleição presidencial, um cacife político enorme, que ninguém jamais soube ou saberá se suficiente para afrontar, ao menos em parte, e em que parte, a arraigada idiotia da política nativa. Porque esse afrontamento, em nome das reformas que eram a própria razão histórica e política do PT e de Lula, não foi na verdade tentado. Se não foi tentado, afirmar, como fariam depois Lula e o PT, que era a priori impossível, é retórica, falácia, sofisma ou mentira. O fato insofismável é que Lula e o PT logo se tornaram apenas e simplesmente uma nova parte da velha massa de políticos idiotas, e estamos conversados.
É a idiotia do PT em geral e de Lula em particular que explica a recente revolta da cidadania brasileira contra a idiotia da política nacional. Pois se o partido e o líder que se fizeram historicamente, no período posterior à ditadura militar, como aqueles que repolitizariam essa política, ou a desidiotizariam, não o fizeram, e se além de não o fazerem a reforçaram, tornando-se os mais idiotas da política nativa, ou seja, os mais agarrados ao seu projeto particular de poder, deixava então de existir, em todo o espectro político brasileiro, qualquer opção dirigida a essa repolitização ou a essa desidiotização da política.
Nesse contexto, o papel do mais que idiota governo Dilma, com sua aliança figadal com os maiores idiotas políticos do país, conhecidos como oligarcas ou fisiológicos, agrupados em siglas como o PMDB e atendendo por nomes como José Sarney, Renan Calheiros e Paulo Maluf (apoiador do candidato de Dilma, de Lula e do PT em São Paulo, Fernando Haddad), foi o de confirmar e reconfirmar, depois da radicalmente idiota “era Lula” (cujo grande esforço político seria afinal fazer seu sucessor, a própria Dilma), o completo abandono, pelo PT, do resgate da política pelo combate à idiotia. Com isto confirmado e reconfirmado, não havia mais saída da idiotização da política senão fora da política idiota. O que explica a cidadania tomar as cidades, único caminho restante para retomar o que é da pólis, a política que merece o nome.
Lula, o grande idiota da política brasileira contemporânea, está, portanto, completamente certo quando afirma e reafirma, como vem afirmando e reafirmando, que a recente revolta popular no Brasil se deve aos seus governos. Não, obviamente, para quem não é minimamente estúpido, pelos motivos que alega, ou seja, suas “grandes conquistas”: segundo Lula, o idiota maior da política menor brasileira, que portanto acredita poder enganar a todos todo o tempo, o aumento de consumo “por ele” conquistado seria a causa dessa revolta, pois os perfeitos imbecis dos cidadãos brasileiros, ao perceberem, por obra e graça de Lulinha, o Grande, que podiam consumir, não se contentariam mais em ser tratados, digamos, como perfeitos imbecis pelo Estado idiota brasileiro, como sempre o foram. Ocorre que tais famosas “conquistas” lulopetistas não incluem nenhuma das reformas históricas necessárias para resgatar a política brasileira – pois limitadas, fundamentalmente, a esse famoso aumento de consumo pelos mais despossuídos, sem sequer o incremento da produção e da produtividade, pelo lado econômico, ou da educação, pelo lado da cidadania. E sem falar do exercício podre do poder. Cuja podridão se espalha, afinal, por todo o país, envolvendo desde a infraestrutura física (daí a famosa “[i]mobilidade urbana” tornar-se um problema intratável) até a superestrutura moral (daí o país ser o infame recordista planetário de mortes por assassinato). O Brasil é, enfim, um país apodrecido (podre o poder, podre a educação pública, podre a saúde pública, podre a segurança pública, podre tudo o que é público), liderado por idiotas e habitado por imbecis. Até ontem.
De fato, a recente revolta popular no Brasil se deve diretamente aos governos da “era Lula”, incluindo o de sua sucessora, seguidora e títere: mas apenas porque tais governos foram a maior e a mais evidente traição histórica recente à promessa jamais resgatada, por nossa superidiota classe política, de politizar a política brasileira. Isto será então necessariamente feito, não importa como, pelos ex-imbecis, afinal desimbecilizados pela insuportável demora dos inquilinos do poder em se desidiotizar.
2 de jul. de 2013
24 de jun. de 2013
Ghost-writer propõe discurso alternativo a Dilma
de Leandro Ruschel :
Brasileiros e brasileiras, venho hoje a noite abrir o meu coração com vocês e fazer algumas revelações. A verdade é que eu já defendi o uso da violência para fins políticos no passado, inclusive contra a democracia. O meu grupo roubou, sequestrou, matou e hoje eu percebo que tal atitude foi um erro. Portanto eu peço aos jovens que não cometam o mesmo erro que eu e abram mão da violência. Eu farei de tudo para que a força policial combata com toda a energia qualquer ato contrário às leis.
Em segundo lugar eu preciso confessar a vocês que eu nunca fui uma boa gestora, isso foi inventado pelos marqueteiros. Em todas as experiências de gestão que tive fui um fracasso. Pretendo corrigir esta falha contratando os melhores profissionais de cada área para assumir os ministérios. Inclusive farei um corte e ficarei apenas com 12 ministérios.
Errei ao fazer um acordo com Lula, não serei mais o poste dele. Agora percebi que na verdade ele usa todo o poder dele para detonar o meu governo, assim ele pode se candidatar novamente para presidente no ano que vem. Com o tempo descobri que o PT é um partido que não tem verdadeiramente uma ideologia. Quando eu era comunista pelo menos acreditava naquela história de uma sociedade mais justa. O PT só quer usar essa bandeira para chegar no poder e manter o poder.
Os meus assessores mais próximos cometeram desvios porque essa é a regra no partido, não a exceção. Eu disse para eles que seria um erro o partido defender os condenados no mensalão, mas eles não quiseram saber. Diziam que era só dar mais bolsas e uma copa do mundo que o povo ficaria quieto. Vou parar de me esforçar para indicar juízes do Supremo que melem o julgamento.
Também confesso que não entendo nada de economia. Eu queria o Palocci dando as cartas, mas ele era tão corrupto que não consegui mantê-lo. O Mantega garantiu que tínhamos caixa para continuar a farra do crédito até 2014 e os investidores internacionais aguentariam mais algumas intervenções e controle sobre o câmbio, mas o Bernanke resolveu desligar a impressora e o plano foi por água abaixo. O Arno Augustin disse que daria uma boa maquiada nas contas mas o mercado descobriu e pegou mal. Achei que liberando grana para alguns grandes empresários via BNDES estaria tudo certo, inclusive a grana para a próxima eleição, mas agora eles já estão querendo apoiar o Aécio. E os especuladores da bolsa teimam em não acreditar nas minhas mentiras! Juro que aprendi a lição, vou chamar o Meirelles para arrumar a casa e vou deixar de brincar de economista.
Não aceitarei mais fazer acordo no congresso com essa banda podre e antiga que controla o país desde sempre. A partir de agora vou deixar um microfone aberto para gravar todas as conversar que tenho com Sarney, Renan e outros corruptos. Não mais colocarão a faca no meu pescoço por mais verbas para desviarem. Eu percebi que eles querem cargos, ministérios e estatais para poderem desviar mais dinheiro. Por isso vou privatizar todas as estatais. Além de ser a decisão mais acertada, não precisarei mais inventar outros nomes para as privatizações que eu já fiz. Cortarei 50% dos cargos públicos em todos os poderes e com isso cortarei os impostos para os cidadãos que realmente produzem.
Não vou mais enrolar as pessoas com essa reforma política que o PT defende. O que o meu partido realmente quer é verba pública de campanha e lista fechada para impedir que novos nomes entrem no cenário além de não terem o trabalho de ter que desviar os recursos. A partir de agora defenderei a reforma política com voto distrital, que baixaria o custo das campanhas e criaria uma verdadeira representação do povo em cada distrito com o seu candidato eleito.
Para combater o crime lutarei por uma reforma do código penal que aumenta sensivelmente as penas e investirei tudo que eu puder em mais polícia e mais presídios. O cidadão brasileiro não tem dezenas de seguranças como eu e não pode ficar a mercê da bandidagem livre nas ruas. A corrupção será considerada um crime hediondo com pena de 30 anos. Revogarei esse absurdo chamado progressão de pena, que hoje serve apenas para deixar bandidos livres nas ruas.
Não mentirei mais para vocês sobre os médicos cubanos. Nem médicos eles são...na verdade queríamos trazer agentes cubanos para dar sequência à estratégia do tio Fidel de transformar a América Latina numa grande ilha comunista. Por enquanto só o Chávez realmente conseguiu. A Kirchner quase conseguiu, mas os argentinos ainda resistem. Mas agora percebi que não temos o povo na mão e os brasileiros não engulirão a estratégia do Foro de São Paulo. Nem MST nem MPL ou outras ONG's compradas vão resolver isso.
Brasileiros e brasileiras, peço desculpas em nome do meu partido por tudo que NÃO fizemos até hoje. Na verdade surfamos a onda das reformas bem feitas pelo FHC por um cenário internacional muito positivo para inflar uma falsa riqueza baseada no crédito fácil, no consumo e em bolsas. Não investimos em educação porque sabíamos que o povo burro seria o nosso trunfo. Mas com esses protestos eu entendi e vamos mudar. Por favor me deem uma nova chance.
Presidenta Dilma Rousseff
(plotado por R.R.Dias)
Revoltados e atrasados
por Guilherme Fiúza
O melhor diagnóstico até agora sobre as manifestações de rua veio do ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral da Presidência. Ele disse que as revoltas são estaduais e municipais. Não deixa de ser um alívio. Quem quiser ficar a salvo da confusão, já sabe: refugie-se no Brasil federal. Nada de ficar vagando pelo Brasil estadual e municipal, porque esse anda muito perigoso, cheio de gente insatisfeita e nervosa. No Brasil federal não, está tudo tranquilo.
Por sorte, Dilma Rousseff também está no Brasil federal, portanto a salvo do tumulto. Desse lugar calmo, sem culpa, a presidente disse que o que os manifestantes querem é o que o governo quer. São praticamente almas gêmeas. “O meu governo está ouvindo essas vozes pela mudança. Está empenhado e comprometido com a transformação social”, informou Dilma. Disse que passeata é uma coisa normal, que ela mesma já fez muito. Parecia prestes a botar uma mochila nas costas e ir para a Avenida Paulista fazer a transformação social.
E mostrou sua visão de estadista: “Essa mensagem direta das ruas contempla o valor intrínseco da democracia”. Às vezes a presidente exagera na erudição. Vai acabar deixando Luís de Camões encabulado. Ela já explicara que o combate à inflação “é um valor em si”, demonstrando conhecimento profundo sobre as coisas da vida e seus valores intrínsecos: “Essa mensagem direta das ruas é de repúdio à corrupção e ao uso indevido de dinheiro público”, acrescentou Dilma, praticamente uma porta-voz dos revoltosos contra tudo isso que aí está.
Olhando para o circo, só há uma conclusão possível: os revoltosos – os do passe livre, os dos 20 centavos, os do Ocupem Wall Street sucursal brazuca, os do turismo cívico e os do civismo vândalo – merecem Dilma Rousseff. Repetindo: os revoltosos merecem Dilma Rousseff. Ou mais que isso: são cúmplices dela, pois estavam sentadinhos em casa enquanto a grande líder mulher brasileira perpetrava suas obras completas de explosão das finanças públicas – a céu aberto, para quem quisesse ver. Agora a inflação está doendo no bolso? Tarde demais, meus queridos justiceiros.
Essa “presidenta” que vive lá na calmaria do Brasil federal com seus 40 ministérios (contando com o do marketing, de João Santana, o único essencial) presidiu, entre outras festas, a distribuição de dinheiro público para o milagre da multiplicação de estádios da Copa. Em São Paulo, numa jogada comandada por Lula e seus amigos empreiteiros (que ele representa no exterior), o histórico Morumbi foi mandado para escanteio. Em seu lugar surgiu o Itaquerão, novinho em folha, presente do ex-presidente ao seu clube do coração. Um mimo de 1 bilhão de reais. Sabem de onde vem esse dinheiro, bravos manifestantes?
Exato: dos vossos bolsos. E onde estavam vocês quando nos esgoelávamos aqui da imprensa sobre essa gastança populista (protegida por índices lunáticos de aprovação da “presidenta”), avisando que a conta ia chegar? Vocês não lêem jornal?
Onde estavam vocês quando a CPI do Cachoeira – com revelações da imprensa – estourou o esquema da Delta, a empreiteira campeã de obras superfaturadas do PAC? Vocês sabiam que mais esse ralo de dinheiro público do governo popular ficou impune, porque a CPI foi asfixiada por Dilma e sua turma? Por que vocês não saíram às ruas para gritar contra esse golpe?
Onde estavam vocês quando a “faxineira” asfixiou a CPI do Dnit e a investigação do maior foco parasitário de um governo que – no seu primeiro ano! – teve que demitir sete ministros suspeitos? Vocês não desconfiaram de nada? Vocês não leram que o dinheiro de vocês estava escoando para ONGs de fachada em convênios fantasmas? Vocês não viram essa praga espalhada por vários ministérios do governo popular, apesar de a imprensa esfregar o escândalo na cara do Brasil? Vocês não notaram que a tecnologia do mensalão (privatização partidária do dinheiro público) nunca saiu de cena, de Dirceu a Rosemary?
Vocês chegaram tarde, meus caros revolucionários. Quando o bolso dói é porque o estrago nas contas públicas já é grande. Bem, antes tarde do que nunca. Mas prestem atenção: entendam logo o que vocês estão fazendo nas ruas, senão suas passeatas em breve estarão no mesmo museu dos escândalos que vocês não viram.
O melhor diagnóstico até agora sobre as manifestações de rua veio do ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral da Presidência. Ele disse que as revoltas são estaduais e municipais. Não deixa de ser um alívio. Quem quiser ficar a salvo da confusão, já sabe: refugie-se no Brasil federal. Nada de ficar vagando pelo Brasil estadual e municipal, porque esse anda muito perigoso, cheio de gente insatisfeita e nervosa. No Brasil federal não, está tudo tranquilo.
Por sorte, Dilma Rousseff também está no Brasil federal, portanto a salvo do tumulto. Desse lugar calmo, sem culpa, a presidente disse que o que os manifestantes querem é o que o governo quer. São praticamente almas gêmeas. “O meu governo está ouvindo essas vozes pela mudança. Está empenhado e comprometido com a transformação social”, informou Dilma. Disse que passeata é uma coisa normal, que ela mesma já fez muito. Parecia prestes a botar uma mochila nas costas e ir para a Avenida Paulista fazer a transformação social.
E mostrou sua visão de estadista: “Essa mensagem direta das ruas contempla o valor intrínseco da democracia”. Às vezes a presidente exagera na erudição. Vai acabar deixando Luís de Camões encabulado. Ela já explicara que o combate à inflação “é um valor em si”, demonstrando conhecimento profundo sobre as coisas da vida e seus valores intrínsecos: “Essa mensagem direta das ruas é de repúdio à corrupção e ao uso indevido de dinheiro público”, acrescentou Dilma, praticamente uma porta-voz dos revoltosos contra tudo isso que aí está.
Olhando para o circo, só há uma conclusão possível: os revoltosos – os do passe livre, os dos 20 centavos, os do Ocupem Wall Street sucursal brazuca, os do turismo cívico e os do civismo vândalo – merecem Dilma Rousseff. Repetindo: os revoltosos merecem Dilma Rousseff. Ou mais que isso: são cúmplices dela, pois estavam sentadinhos em casa enquanto a grande líder mulher brasileira perpetrava suas obras completas de explosão das finanças públicas – a céu aberto, para quem quisesse ver. Agora a inflação está doendo no bolso? Tarde demais, meus queridos justiceiros.
Essa “presidenta” que vive lá na calmaria do Brasil federal com seus 40 ministérios (contando com o do marketing, de João Santana, o único essencial) presidiu, entre outras festas, a distribuição de dinheiro público para o milagre da multiplicação de estádios da Copa. Em São Paulo, numa jogada comandada por Lula e seus amigos empreiteiros (que ele representa no exterior), o histórico Morumbi foi mandado para escanteio. Em seu lugar surgiu o Itaquerão, novinho em folha, presente do ex-presidente ao seu clube do coração. Um mimo de 1 bilhão de reais. Sabem de onde vem esse dinheiro, bravos manifestantes?
Exato: dos vossos bolsos. E onde estavam vocês quando nos esgoelávamos aqui da imprensa sobre essa gastança populista (protegida por índices lunáticos de aprovação da “presidenta”), avisando que a conta ia chegar? Vocês não lêem jornal?
Onde estavam vocês quando a CPI do Cachoeira – com revelações da imprensa – estourou o esquema da Delta, a empreiteira campeã de obras superfaturadas do PAC? Vocês sabiam que mais esse ralo de dinheiro público do governo popular ficou impune, porque a CPI foi asfixiada por Dilma e sua turma? Por que vocês não saíram às ruas para gritar contra esse golpe?
Onde estavam vocês quando a “faxineira” asfixiou a CPI do Dnit e a investigação do maior foco parasitário de um governo que – no seu primeiro ano! – teve que demitir sete ministros suspeitos? Vocês não desconfiaram de nada? Vocês não leram que o dinheiro de vocês estava escoando para ONGs de fachada em convênios fantasmas? Vocês não viram essa praga espalhada por vários ministérios do governo popular, apesar de a imprensa esfregar o escândalo na cara do Brasil? Vocês não notaram que a tecnologia do mensalão (privatização partidária do dinheiro público) nunca saiu de cena, de Dirceu a Rosemary?
Vocês chegaram tarde, meus caros revolucionários. Quando o bolso dói é porque o estrago nas contas públicas já é grande. Bem, antes tarde do que nunca. Mas prestem atenção: entendam logo o que vocês estão fazendo nas ruas, senão suas passeatas em breve estarão no mesmo museu dos escândalos que vocês não viram.
22 de jun. de 2013
A vaia
por Luiz Osório Marinho Silva
Talvez, neste país sem cidadania, esteja me tornando um velho anarquista, mas com o ardor da indignação de um jovem adolescente, em prol do que é certo e justo.Vaiei a incompetência, a desonestidade, a corrupção, a enganação, a mentira.Vaiei as obras inacabadas, superfaturadas, mal feitas, não fiscalizadas.Vaiei a insegurança dos cidadãos brasileiros, as péssimas condições da saúde pública, a ineficiência do sistema educacional.Vaiei a falta de boas estradas, portos e aeroportos.Vaiei a carência de saneamento básico, os apagões de energia elétrica,o caos das grandes cidades.Vaiei a utilização política de empresas estatais e de economia mista,com recursos financeiros mal aplicados ou utilizados de maneira inescrupulosa, ocasionando graves prejuízos, como os verificados na Petrobras.
Vaiei o estímulo à luta de classes, à invasão de propriedades particulares e à desagregação da sociedade. Vaiei os programas eleitoreiros, disfarçados em projetos sociais, sem nenhuma contrapartida, que objetivam apenas a conquista de votos para a manutenção do poder.Vaiei o retorno da inflação, o aumento brutal da dívida interna, a quebra do equilíbrio fiscal.Vaiei o aniquilamento de nossa indústria, os malefícios à agropecuária,a perda da competitividade internacional.Vaiei os cartões corporativos e o alto custo da máquina governamental,com os seus trinta e nove ministérios, criados, em sua maioria, apenas para abrigar políticos obscuros e os interesses dos partidos da base aliada.
Vaiei o aparelhamento do Estado, inclusive o da mais alta corte do Poder Judiciário, por pessoas ligadas ao partido político da"presidenta".Vaiei a tentativa de mudar a verdadeira História do Brasil, com a instalação de uma Comissão, que de verdade só tem o nome.Vaiei a subordinação da política externa brasileira aos ditames do Foro de São Paulo, com o país caudatário das decisões de governos populistas e ditatoriais da América Latina. Vaiei as tentativas de macular as Forças Armadas, de silenciar a imprensa, de implantar, paulatinamente, o comunismo no Brasil, travestido agora com o nome de socialismo bolivariano.Vaiei os políticos demagogos, oportunistas, mentirosos, corruptos e adúlteros. Vaiei os seguidores de falsos profetas, os aproveitadores, os bajuladores, de todas as espécies.
Vaiei os inocentes úteis, os conformados, os omissos.Vaiei, finalmente, todo o mal que, nos últimos dez anos, o partido político, que se dizia ético, fez ao meu país.
Que a estrondosa vaia seja o prenúncio de outros tempos, de esperança e de confiança em um novo Brasil, verdadeiramente grandioso e justo para o seu povo.
E ESSA PETRAPORCALHADA AINDA VEM COM HISTÓRIAS DE CAROCHINHA ALARDEANDO QUE A VAIA NÃO ERA NEM PARA DILMA NEM PARA LULA NEM PARA O PT
Brasília, 17 de junho de 2013.
Talvez, neste país sem cidadania, esteja me tornando um velho anarquista, mas com o ardor da indignação de um jovem adolescente, em prol do que é certo e justo.Vaiei a incompetência, a desonestidade, a corrupção, a enganação, a mentira.Vaiei as obras inacabadas, superfaturadas, mal feitas, não fiscalizadas.Vaiei a insegurança dos cidadãos brasileiros, as péssimas condições da saúde pública, a ineficiência do sistema educacional.Vaiei a falta de boas estradas, portos e aeroportos.Vaiei a carência de saneamento básico, os apagões de energia elétrica,o caos das grandes cidades.Vaiei a utilização política de empresas estatais e de economia mista,com recursos financeiros mal aplicados ou utilizados de maneira inescrupulosa, ocasionando graves prejuízos, como os verificados na Petrobras.
Vaiei o estímulo à luta de classes, à invasão de propriedades particulares e à desagregação da sociedade. Vaiei os programas eleitoreiros, disfarçados em projetos sociais, sem nenhuma contrapartida, que objetivam apenas a conquista de votos para a manutenção do poder.Vaiei o retorno da inflação, o aumento brutal da dívida interna, a quebra do equilíbrio fiscal.Vaiei o aniquilamento de nossa indústria, os malefícios à agropecuária,a perda da competitividade internacional.Vaiei os cartões corporativos e o alto custo da máquina governamental,com os seus trinta e nove ministérios, criados, em sua maioria, apenas para abrigar políticos obscuros e os interesses dos partidos da base aliada.
Vaiei o aparelhamento do Estado, inclusive o da mais alta corte do Poder Judiciário, por pessoas ligadas ao partido político da"presidenta".Vaiei a tentativa de mudar a verdadeira História do Brasil, com a instalação de uma Comissão, que de verdade só tem o nome.Vaiei a subordinação da política externa brasileira aos ditames do Foro de São Paulo, com o país caudatário das decisões de governos populistas e ditatoriais da América Latina. Vaiei as tentativas de macular as Forças Armadas, de silenciar a imprensa, de implantar, paulatinamente, o comunismo no Brasil, travestido agora com o nome de socialismo bolivariano.Vaiei os políticos demagogos, oportunistas, mentirosos, corruptos e adúlteros. Vaiei os seguidores de falsos profetas, os aproveitadores, os bajuladores, de todas as espécies.
Vaiei os inocentes úteis, os conformados, os omissos.Vaiei, finalmente, todo o mal que, nos últimos dez anos, o partido político, que se dizia ético, fez ao meu país.
Que a estrondosa vaia seja o prenúncio de outros tempos, de esperança e de confiança em um novo Brasil, verdadeiramente grandioso e justo para o seu povo.
E ESSA PETRAPORCALHADA AINDA VEM COM HISTÓRIAS DE CAROCHINHA ALARDEANDO QUE A VAIA NÃO ERA NEM PARA DILMA NEM PARA LULA NEM PARA O PT
Brasília, 17 de junho de 2013.
20 de jun. de 2013
15 de jun. de 2013
Respeitem a História!
por Percival Puggina
Durante a maior parte do século 20 as organizações comunistas sequer cogitavam tomar o poder por outro modo que não a luta armada. A dúvida era sobre onde começá-la. No campo ou na cidade? Marx, com aquela segurança de quem julga conhecer tanto o futuro que o descreve como déjà vu, previra o protagonismo do operariado. Os fatos, também nisso, o desmentiram. Era no campo que as coisas aconteciam numa época em que aqueles movimentos não apostavam no carteado do jogo democrático. Aliás, abominavam-no. A ditadura do proletariado exigia virar a mesa e sair no braço. Por isso, desde os anos 20, planejavam e ensaiavam levantes armados. A sirene de alarme disparou mais intensamente, no Brasil, nos anos 60, quando Fidel passou a exportar revolução. Desde então, a Guerra Fria ferveu em todos os países da região. Respirava-se revolução. Março de 1964 teve tudo a ver com isso.
Na Europa e nos Estados Unidos, a Guerra Fria se travava entre dois lados. EUA versus URSS. Pacto de Varsóvia versus OTAN. Na América Latina era pior. Era ebulição interna, fervente, no âmbito de cada país. Dê uma pesquisada na rede, leitor, e encontrará o que vários historiadores comunistas escreveram sobre aquele ânimo revolucionário. Afirmar que a esquerda foi às armas como reação à repressão inverte as relações de causa e efeito.
Os crimes cometidos pelas partes - violência, tortura, "justiçamentos", terrorismo, sequestros, abusos de poder e o empenho em preservá-lo por duas décadas, constrangem e revoltam. É história triste. Passado que não se pode mudar. Cabe aos pesquisadores, historiadores, jornalistas, com irrestrito acesso aos documentos, escrever essa história conforme cada um a sentir, compreender e interpretar. Mas é certo: tivessem os comunistas vencido, as 356 mortes de militantes e as 120 por eles causadas seriam multiplicadas por milhares.
A ideia de instituir uma Comissão da Verdade para "efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional" é disparate. Primeiro: porque a verdade não é coisa que se prometa entregar pronta e encadernada. É algo que se busca. A garantia de encontrar, portanto, é charlatanice. Segundo: porque conceder a uma só pessoa, a presidente Dilma, o poder de escolher, a ponta de dedo e caneta, seus sete auditores da História, empregando-os a soldo na Casa Civil, é - isto sim! - medo da verdade. Terceiro: porque aceitar tão unilateral encargo, assumindo-se como caminho, verdade e vida para os anais da História vale por confissão de falta de princípios. É emprestar o nome para uma farsa, em troca de dois vinténs de fama e contracheque. Quarto: por fim, o que menos interessa à Comissão é reconciliação. Reconciliação quem fez foi a festejada Anistia. Ampla, geral e irrestrita.
Nossos governantes não incluem a verdade na lista de seus amores. A evidência dispensa prova. Preferem encomendar versões. Nada sabem sequer do que fazem. Ignoram a verdade sobre o tempo presente e tratam de transfigurá-la no próprio passado. Com História não se brinca! Menos ainda se põe sob o braço e se sai andando com ela por aí, como se fosse coisa da gente. Não é. É História. Ponto. A nenhum partido político, a nenhum comissariado ou comissão é dado oficializá-la ao gosto ou usá-la como serventia. Ela não se presta, saibam, para transformar bandidos em heróis nem doutrinas totalitárias em faróis da democracia e do humanismo.
publicado no ZERO HORA de 16 JUN 2013
plotado por C.A.D.C.
Durante a maior parte do século 20 as organizações comunistas sequer cogitavam tomar o poder por outro modo que não a luta armada. A dúvida era sobre onde começá-la. No campo ou na cidade? Marx, com aquela segurança de quem julga conhecer tanto o futuro que o descreve como déjà vu, previra o protagonismo do operariado. Os fatos, também nisso, o desmentiram. Era no campo que as coisas aconteciam numa época em que aqueles movimentos não apostavam no carteado do jogo democrático. Aliás, abominavam-no. A ditadura do proletariado exigia virar a mesa e sair no braço. Por isso, desde os anos 20, planejavam e ensaiavam levantes armados. A sirene de alarme disparou mais intensamente, no Brasil, nos anos 60, quando Fidel passou a exportar revolução. Desde então, a Guerra Fria ferveu em todos os países da região. Respirava-se revolução. Março de 1964 teve tudo a ver com isso.
Na Europa e nos Estados Unidos, a Guerra Fria se travava entre dois lados. EUA versus URSS. Pacto de Varsóvia versus OTAN. Na América Latina era pior. Era ebulição interna, fervente, no âmbito de cada país. Dê uma pesquisada na rede, leitor, e encontrará o que vários historiadores comunistas escreveram sobre aquele ânimo revolucionário. Afirmar que a esquerda foi às armas como reação à repressão inverte as relações de causa e efeito.
Os crimes cometidos pelas partes - violência, tortura, "justiçamentos", terrorismo, sequestros, abusos de poder e o empenho em preservá-lo por duas décadas, constrangem e revoltam. É história triste. Passado que não se pode mudar. Cabe aos pesquisadores, historiadores, jornalistas, com irrestrito acesso aos documentos, escrever essa história conforme cada um a sentir, compreender e interpretar. Mas é certo: tivessem os comunistas vencido, as 356 mortes de militantes e as 120 por eles causadas seriam multiplicadas por milhares.
A ideia de instituir uma Comissão da Verdade para "efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional" é disparate. Primeiro: porque a verdade não é coisa que se prometa entregar pronta e encadernada. É algo que se busca. A garantia de encontrar, portanto, é charlatanice. Segundo: porque conceder a uma só pessoa, a presidente Dilma, o poder de escolher, a ponta de dedo e caneta, seus sete auditores da História, empregando-os a soldo na Casa Civil, é - isto sim! - medo da verdade. Terceiro: porque aceitar tão unilateral encargo, assumindo-se como caminho, verdade e vida para os anais da História vale por confissão de falta de princípios. É emprestar o nome para uma farsa, em troca de dois vinténs de fama e contracheque. Quarto: por fim, o que menos interessa à Comissão é reconciliação. Reconciliação quem fez foi a festejada Anistia. Ampla, geral e irrestrita.
Nossos governantes não incluem a verdade na lista de seus amores. A evidência dispensa prova. Preferem encomendar versões. Nada sabem sequer do que fazem. Ignoram a verdade sobre o tempo presente e tratam de transfigurá-la no próprio passado. Com História não se brinca! Menos ainda se põe sob o braço e se sai andando com ela por aí, como se fosse coisa da gente. Não é. É História. Ponto. A nenhum partido político, a nenhum comissariado ou comissão é dado oficializá-la ao gosto ou usá-la como serventia. Ela não se presta, saibam, para transformar bandidos em heróis nem doutrinas totalitárias em faróis da democracia e do humanismo.
publicado no ZERO HORA de 16 JUN 2013
plotado por C.A.D.C.
14 de jun. de 2013
Será?
Pode ser. Ninguém sabe no que isso vai dar (nem pra que lado...)
Mas o badernaço, particularmente em São Paulo, fez um espirituoso sair com essa: "cada um tem o maio de 68 que merece"...
Já uma análise mais aprofundada, de comentarista anônimo, diz assim:
Quem ganha (política e
estrategicamente) com os protestos em SP: a “nova esquerda”, a esquerda PSOL, a
esquerda Idelber, que aproveita o momento para desmascarar o PT e mostrar que
ainda é possível lutar por pautas utópicas — basta mudar de lado e acreditar no
socialismo verdadeiro.
É preciso esclarecer o
seguinte: em primeiro lugar, esse movimento que depreda ônibus e bloqueia
avenidas é um elogio à destruição e ao caos, um ataque a princípios básicos do
estado democrático, e uma ofensiva francamente autoritária de gente que se outorga
o direito de representar “os pobres” porque julga compreender os interesses
deles melhor do que eles próprios. É também um movimento de cooptação por meio
do qual lideranças partidárias e manifestantes profissionais manobram uma massa
de imbecis que não entendem absolutamente nada sobre o que está acontecendo mas
gostam de se aproximar do rótulo de “cidadão consciente” (embora sejam
“apartidários”, claro).
Em segundo lugar, os
queimadores de lixeira, destruidores de estações de metrô, incendiários de túneis,
vândalos e PSOListas de hoje são o PT de ontem. Amanhã, quando estiverem mais
perto do poder, os militantes do PSOL agirão exatamente como agem os do PT. É
preciso mostrar às pessoas que o cair da máscara petista é o cair da máscara de
todo um método de pensamento, que é o método esquerdista. Acreditar que existe
alguma verdade, justiça ou clamor democrático na voz de quem vai pra Paulista
agitar bandeira do PSOL enquanto se lamenta o fato de que o PT abandonou a luta
é ingenuidade, é cometer o mesmo erro duas vezes, e nós precisamos deixar isso
muito claro sempre que o assunto estiver sendo debatido.
8 de mai. de 2013
2 de mai. de 2013
O fascismo descarado e o enrustido
O vídeo abaixo mostra o assalto de uma milícia bolivariana ao hospital universitário
da Universidade Los Andes, em Mérida, Venezuela. Vê-se aí, inclusive, que os
policiais e militares não intervieram, embora estivessem cercando a área; antes, “garantiram” os
acontecimentos - e não obstaram a evasão posterior dos assaltantes.
No mesmo dia, no Brasil, num assalto a um consultório, uma dentista foi queimada viva por um grupo de quatro bandidos, tendo o "dimenor" entre eles (17 anos e 9 meses) assumido o ato.
Há pelo menos um traço em comum nesses dois acontecimentos.
O cordão de isolamento, físico, que protegeu os criminosos de lá, é análogo a um outro, normativo, que protege os de cá, impedindo sua efetiva responsabilização. Na prática, em ambos os casos, temos a força legal do Estado atuando contra o interesse da sociedade.
No mesmo dia, no Brasil, num assalto a um consultório, uma dentista foi queimada viva por um grupo de quatro bandidos, tendo o "dimenor" entre eles (17 anos e 9 meses) assumido o ato.
Há pelo menos um traço em comum nesses dois acontecimentos.
O cordão de isolamento, físico, que protegeu os criminosos de lá, é análogo a um outro, normativo, que protege os de cá, impedindo sua efetiva responsabilização. Na prática, em ambos os casos, temos a força legal do Estado atuando contra o interesse da sociedade.
20 de abr. de 2013
18 de abr. de 2013
Desisto. Escolha você um título para isso
O
Exército norte-coreano deu um "ultimato" ao vizinho do sul nesta
terça-feira, prometendo lançar um ataque "inesperado" caso
as atividades hostis à Coreia do Norte continuem na península. O alerta foi
feito depois que manifestantes em Seul queimaram, na segunda-feira, imagens do
fundador da Coreia do Norte, Kim Il-Sung, de seu filho, Kim Jong-Il, e de seu
neto e atual líder do país, Kim Jong-Un.
O
ato coincide com as festividades nacionais na Coreia do Norte pelo
101º aniversário do nascimento de Kim Il-Sung, data reverenciada como
"O dia do sol". "Todo o governo e o povo da DPRK (Coreia do
Norte) estão fervilhando com um forte ressentimento por esse monstruoso ato
criminoso", declarou o Comando Supremo do Exército, em nota divulgada pela
agência oficial de notícias norte-coreana.
No
"ultimato", o governo declara que "nossa ação retaliatória
começará sem aviso prévio, a partir de agora, já que um criminoso ato
triplamente amaldiçoado de ferir a dignidade da liderança suprema da DPRK está
sendo abertamente praticado no coração de Seul, sob o patrocínio das marionetes
do governo".
A nota acrescenta que as Forças Armadas "iniciarão imediatamente suas corretas ações militares para mostrar como o governo e o povo da DPRK valorizam e protegem a dignidade da liderança suprema". "A demonstração militar das revolucionárias Forças Armadas da DPRK será um poderoso golpe de marreta em todas as forças hostis que ferem a dignidade da liderança suprema da DPRK".
A nota acrescenta que as Forças Armadas "iniciarão imediatamente suas corretas ações militares para mostrar como o governo e o povo da DPRK valorizam e protegem a dignidade da liderança suprema". "A demonstração militar das revolucionárias Forças Armadas da DPRK será um poderoso golpe de marreta em todas as forças hostis que ferem a dignidade da liderança suprema da DPRK".
17 de abr. de 2013
Requiem para uma grande dama
por Kátia Abreu
Sobre a morte de Margaret Thatcher já se pronunciaram os grandes deste mundo. Também a grande imprensa em todos os países. Sobre sua vida, sua obra e suas ideias, há vasta literatura. Não será presunção ou perda de tempo eu também falar sobre ela?
A verdade é que não consigo fugir do tema. Do modo como está o mundo, notadamente a Europa e a América Latina, nunca foi tão necessário compreender e refletir sobre a obra política e intelectual dessa mulher. Em breves 11 anos, Thatcher reconstruiu a economia de seu país e, nas palavras insuspeitas do historiador inglês Tony Judt, pôs abaixo o consenso do pós-guerra e construiu um novo no lugar.
Novo consenso que foi adotado pelos adversários — os trabalhistas ingleses que passaram a se chamar novos trabalhistas para se acomodarem ao novo figurino — e também pelos países do Leste da Europa e até pela América Latina. Para quem não acredita no poder das grandes pessoas e acha que a história segue seu destino de forma determinista, apesar dos homens, o próprio Tony Judt notou que a qualquer pessoa na Inglaterra, que adormecesse em 1978 e despertasse 20 anos depois, o país pareceria muito estranho. Totalmente diferente do que era e muito diferente de todo o resto da Europa.
Isso foi obra de uma mulher quase solitária, a quem nos momentos mais difíceis faltou apoio. Faltou até mesmo a solidariedade do próprio partido, que havia perdido os princípios e assistia impassível, em companhia dos adversários, à lenta decomposição da economia e da sociedade inglesas.
É preciso continuar falando de Margareth Thatcher além das celebrações fúnebres porque a política no mundo, e aqui na América Latina, tem muito a ganhar com sua inspiração. Quando ela chegou ao poder no Reino Unido, em 1979, o sentimento generalizado era de que a política no país tinha perdido contato com a vida real e o controle sobre a economia, o trabalho e as ruas.
As instituições políticas não tinham mais o sentido de sua finalidade nem a confiança dos cidadãos. Grupos organizados haviam tornado a nação refém dos interesses de classe e não havia mais quem defendesse o interesse geral. Inflação alta, recessão, conflitos intermináveis. Parecia que os ingleses caminhavam para o fim.
Se dependesse da política convencional, tudo estaria perdido. Políticos, em toda parte, gostam dos interesses especiais porque sabem ser ruidosos, ativos e, sobretudo, gratos. Já o bem comum, como dizia o velho político mineiro, é bem nenhum. Não é preciso lembrar que Thatcher abraçou o bem comum contra tudo e, em alguns momentos, contra quase todos. No limite, os próprios companheiros queriam que ela voltasse atrás. Ela não voltou.
A Dama de Ferro reformou a economia inglesa, acabou com a tirania dos grupos corporativos, privatizou os mastodontes estatais que só existiam para servir aos funcionários, sem nenhuma consideração com a sociedade. Promoveu o renascimento do verdadeiro Estado, que se tornou mais forte depois dela, e reconstruiu a política, o seu partido e o partido adversário. Em uma década, a Inglaterra era outra.
Tivesse Thatcher feito apenas isso, já seria obra gigantesca. Mas ela foi muito além, pois recuperou a autoridade moral da economia de mercado, posta sob suspeição por intelectuais e políticos que proclamavam a superioridade moral do socialismo e demonizavam a propriedade e a iniciativa privada.
Seu credo era simples e verdadeiro: só os indivíduos criam riqueza; o progresso econômico é um bem em si mesmo; a economia precisa de inovação, de riscos, de competição e de liberdade. O comércio mundial deve ser livre e as pessoas não precisam que o Estado tome decisões em seu lugar. São lições que a Europa em crise e a nossa incorrigível América Latina precisam ouvir. Como bem disse a revista The Economist, nestes dias o mundo precisa de mais — não de menos — thatcherismo.
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