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16 de jun. de 2013

O que o museu tem a ver com educação?

por Leonel Kaz
Essa pergunta do ministro da Educação, Aloízio Mercadante, na imprensa e repercutida na Coluna do Noblat (3/6) do Globo, merece algumas ponderações. Faço uma dezena delas:
1. Museu é lugar para se entrar de corpo inteiro, tridimensionalmente, com todos os sentidos despertos. Cada obra de arte ou objeto exposto nos convida a olhá-lo, a partilhar dele, a se entregar a ele. Esse é o caminho da educação de qualidade: permitir que a vida nos invada e que o objeto inanimado ganhe um vislumbre novo, a cada dia, em cada visita. O Grande Pinheiro, tela de Cèzanne no Masp, pode ser vista cem vezes e, a cada vez, será diferente da outra; o quadro, de certa forma, muda, porque muda o mundo e mudamos nós também.
2. Museu é lugar, portanto, de olhar de forma distinta para as coisas. E para os seres também. É lugar de aprender a olhar com outro olhar para o outro (que quase nunca o vemos), para a escola (que pode ser, a cada dia, diferente do que é habitualmente) e para a cidade (que tanto a desprezamos, porque parece não nos pertencer).
3. Museu é lugar de entrar e dizer: é nosso! Museus são lugares de coleções, e as cidades, também. Cidades são escolas do olhar, pois nos permitem colecionar tudo de nossa vida: os dias que passam, a família que reunimos, os amigos que temos e ainda os bueiros da rua e as janelas que vislumbramos em nosso caminho diário (elas falam de épocas diferentes, narram histórias distintas). A cidade é a história.
O Museu de Arte de São Paulo (MASP) (Foto: O Globo)
4. Museu é lugar onde a cidade (a história) se reconta. Rebrota. Onde ela nos faz crer que, para além do mero contorno do corpo, existimos. Criamos uma identificação com aqueles fatos e pessoas que ali estão, que nos antecederam em ideias, pensamentos e sentimentos. Que ajudaram a criar “o imaginário daquilo que imaginamos que somos”, como definiu o poeta Ferreira Gullar. É dentro da plenitude deste imaginário que o Museu nos reaviva a memória e o fulgor da boa aula.
5. Museu é o lugar do mérito, onde peças e imagens entraram porque mereceram entrar, porque foram, em algum momento, singulares. Elas estão ali para nos apontar que cada qual que as visita pode ter sua singularidade, e que ninguém precisa ser prisioneiro dos preconceitos do mundo. Museu é onde a cultura aponta à educação que tanto um como o outro foram feitos para reinventar o modo de ver as coisas.
6. Museu é lugar para se abandonar a parafernália eletrônica, os iPads, iPhones e Ai-ais e permitir que obras e imagens que lá se encontram repercutam em nós. Num museu somos nós os capturados pelos objetos, somos nós o verdadeiro conteúdo de cada museu, com a capacidade de transformar e sermos transformados pelo que nos cerca.
7. Museu é lugar para criar um vazio entre o olhar que vê e o objeto que é visto. Um vazio de silêncio. Um vazio que amplia horizontes de percepção. Assim, o professor deixa de ser professor e passa a ser o que verdadeiramente é: um inventor de roteiros, um “possibilitador” de descobertas. É lugar de aluno, com a ajuda dos mestres, revelar potencialidades insuspeitas, tantas vezes esmagadas pelo caráter repressor das circunstâncias que o cercam.
8. Museu é lugar de experiência. Tudo o que é pode não ser: há uma mágica combinatória em todas as coisas, como as crianças nos ensinam. Tudo pode combinar com tudo, independentemente de critérios, ordenamentos, hierarquias. A ordem do museu pressupõe a desordem do olhar.
9. Museu é ainda lugar de coleções (embora a internet seja, hoje, o maior museu do mundo). Assim, o museu não é mais apenas um espaço físico, assim como a escola não o é. A cidade toda é uma grande escola. O Museu é uma de suas salas de aula.
10. Museu é o lugar em que “a criança se educa, vivendo” como nos ensinou, desde 1929, o educador Anísio Teixeira, ao falar da escola.

15 de jun. de 2013

Respeitem a História!

por Percival Puggina

Durante a maior parte do século 20 as organizações comunistas sequer cogitavam tomar o poder por outro modo que não a luta armada. A dúvida era sobre onde começá-la. No campo ou na cidade? Marx, com aquela segurança de quem julga conhecer tanto o futuro que o descreve como déjà vu, previra o protagonismo do operariado. Os fatos, também nisso, o desmentiram. Era no campo que as coisas aconteciam numa época em que aqueles movimentos não apostavam no carteado do jogo democrático. Aliás, abominavam-no. A ditadura do proletariado exigia virar a mesa e sair no braço. Por isso, desde os anos 20, planejavam e ensaiavam levantes armados. A sirene de alarme disparou mais intensamente, no Brasil, nos anos 60, quando Fidel passou a exportar revolução. Desde então, a Guerra Fria ferveu em todos os países da região. Respirava-se revolução. Março de 1964 teve tudo a ver com isso.

Na Europa e nos Estados Unidos, a Guerra Fria se travava entre dois lados. EUA versus URSS. Pacto de Varsóvia versus OTAN. Na América Latina era pior. Era ebulição interna, fervente, no âmbito de cada país. Dê uma pesquisada na rede, leitor, e encontrará o que vários historiadores comunistas escreveram sobre aquele ânimo revolucionário. Afirmar que a esquerda foi às armas como reação à repressão inverte as relações de causa e efeito.

Os crimes cometidos pelas partes - violência, tortura, "justiçamentos", terrorismo, sequestros, abusos de poder e o empenho em preservá-lo por duas décadas, constrangem e revoltam. É história triste. Passado que não se pode mudar. Cabe aos pesquisadores, historiadores, jornalistas, com irrestrito acesso aos documentos, escrever essa história conforme cada um a sentir, compreender e interpretar. Mas é certo: tivessem os comunistas vencido, as 356 mortes de militantes e as 120 por eles causadas seriam multiplicadas por milhares.

A ideia de instituir uma Comissão da Verdade para "efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional" é disparate. Primeiro: porque a verdade não é coisa que se prometa entregar pronta e encadernada. É algo que se busca. A garantia de encontrar, portanto, é charlatanice. Segundo: porque conceder a uma só pessoa, a presidente Dilma, o poder de escolher, a ponta de dedo e caneta, seus sete auditores da História, empregando-os a soldo na Casa Civil, é - isto sim! - medo da verdade. Terceiro: porque aceitar tão unilateral encargo, assumindo-se como caminho, verdade e vida para os anais da História vale por confissão de falta de princípios. É emprestar o nome para uma farsa, em troca de dois vinténs de fama e contracheque. Quarto: por fim, o que menos interessa à Comissão é reconciliação. Reconciliação quem fez foi a festejada Anistia. Ampla, geral e irrestrita.

Nossos governantes não incluem a verdade na lista de seus amores. A evidência dispensa prova. Preferem encomendar versões. Nada sabem sequer do que fazem. Ignoram a verdade sobre o tempo presente e tratam de transfigurá-la no próprio passado. Com História não se brinca! Menos ainda se põe sob o braço e se sai andando com ela por aí, como se fosse coisa da gente. Não é. É História. Ponto. A nenhum partido político, a nenhum comissariado ou comissão é dado oficializá-la ao gosto ou usá-la como serventia. Ela não se presta, saibam, para transformar bandidos em heróis nem doutrinas totalitárias em faróis da democracia e do humanismo.

publicado no ZERO HORA de 16 JUN 2013
plotado por C.A.D.C.

14 de jun. de 2013

Será?


Pode ser. Ninguém sabe no que isso vai dar (nem pra que lado...)
Mas o badernaço, particularmente em São Paulo, fez um espirituoso sair com essa: "cada um tem o maio de 68 que merece"...

Já uma análise mais aprofundada, de comentarista anônimo, diz assim:

Quem ganha (política e estrategicamente) com os protestos em SP: a “nova esquerda”, a esquerda PSOL, a esquerda Idelber, que aproveita o momento para desmascarar o PT e mostrar que ainda é possível lutar por pautas utópicas — basta mudar de lado e acreditar no socialismo verdadeiro.
É preciso esclarecer o seguinte: em primeiro lugar, esse movimento que depreda ônibus e bloqueia avenidas é um elogio à destruição e ao caos, um ataque a princípios básicos do estado democrático, e uma ofensiva francamente autoritária de gente que se outorga o direito de representar “os pobres” porque julga compreender os interesses deles melhor do que eles próprios. É também um movimento de cooptação por meio do qual lideranças partidárias e manifestantes profissionais manobram uma massa de imbecis que não entendem absolutamente nada sobre o que está acontecendo mas gostam de se aproximar do rótulo de “cidadão consciente” (embora sejam “apartidários”, claro).

Em segundo lugar, os queimadores de lixeira, destruidores de estações de metrô, incendiários de túneis, vândalos e PSOListas de hoje são o PT de ontem. Amanhã, quando estiverem mais perto do poder, os militantes do PSOL agirão exatamente como agem os do PT. É preciso mostrar às pessoas que o cair da máscara petista é o cair da máscara de todo um método de pensamento, que é o método esquerdista. Acreditar que existe alguma verdade, justiça ou clamor democrático na voz de quem vai pra Paulista agitar bandeira do PSOL enquanto se lamenta o fato de que o PT abandonou a luta é ingenuidade, é cometer o mesmo erro duas vezes, e nós precisamos deixar isso muito claro sempre que o assunto estiver sendo debatido.


9 de jun. de 2013

Biblioteca digital BRASILIANA



Lá (aqui) se encontram preciosidades como a edição 174 do Correio Braziliense, de novembro de 1822, que trazia sob o título POLÍTICA, subtítulo REYNO UNIDO DE PORTUGAL BRAZIL E ALGARVES, o

"Manifesto do Principe Regente do Brazil aos Governos e Naçoens amigas"

Desejando eu, e os povos, que me reconhecem como seu Principe Regente, conservar as relaçoens politicas e commerciaes com os Governos, e Naçoens Amigas deste Reyno, e continuar a merecer-lhes a approvaçaõ e estimaçaõ, de que se faz crédor o caracter Brazileiro cumpre-me expor-lhes succinta, mas verdadeiramente, a série dos factos e motivos, que me tem obrigado a annuir à vontade general do Brazil, que proclama à face do Universo a sua Independencia politica; e quer, como Reyno irmaõ, e como naçaõ grande e poderosa, conservar illesos e firmes seus imprescriptiveis direitos, contra os quaes Portugal sempre attentou, e agora mais que nunca, depois da decantada Regeneraçaõ politica da Monarchia, pela Côrtes de Lisboa.
(...)

Made in Brazil


Mostrando o mundo



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6 de jun. de 2013

Chuva sem água

Melhor ver de olhos fechados...
(Enviado por M.M.G.)

Comandando máquinas com o pensamento

A reportagem e o vídeo abaixo abrem novos horizontes.



Em um ginásio esportivo nos EUA, um pequeno quadricóptero (um helicóptero sustentado no ar por quatro hélices) percorre um circuito de obstáculos sem se chocar com nenhum deles. A cena seria trivial no aeromodelismo não fosse por um detalhe: seu voo é guiado apenas pela força do pensamento de voluntários, dispensando o uso do tradicional controle remoto manual. Desenvolvida na Universidade de Minnesota, a tecnologia representa mais um avanço nas chamadas interfaces cérebro-máquina (BCI, na sigla em inglês), que, no futuro, poderão ajudar pessoas paralisadas ou amputadas a mover membros mecânicos, cadeiras de roda ou até exoesqueletos inteiros só com o poder da mente.

Como um eletroencefalograma
Responsável pelo experimento, cujos resultados foram publicados ontem no “Journal of Neural Engineering”, Bin He, professor da faculdade de Ciências e Engenharia da universidade, destaca que, além da precisão, o novo sistema tem a vantagem de ser não invasivo, já que para controlar o quadricóptero os voluntários tiveram apenas que vestir uma touca equipada com 64 eletrodos para medir suas ondas cerebrais, como em um eletroencefalograma (EEG). Com isso, diz He, a tecnologia fica mais barata, simples e segura, pois não são necessárias cirurgias e hospitalização para ser usada, por exemplo.

- Pesquisadores em outros lugares usaram chips implantados no córtex motor do cérebro para movimentar um cursor em uma tela ou um braço robótico, mas aqui temos a prova de que uma interface não invasiva com base em EEGs do escalpo pode ter um desempenho tão bom quanto um chip invasivo - afirma.

- Queremos desenvolver algo que possa beneficiar muitas pessoas e não apenas alguns pacientes e este avanço nos coloca mais perto de aplicações práticas para essas interfaces que, creio, terão um alcance muito maior do que os implantes de chips.

Segundo He, o sistema funciona tão bem graças ao melhor conhecimento que sua equipe adquiriu da “geografia” do córtex motor humano por meio de exames de ressonância magnética funcional (fMRI, também na sigla em inglês). Quando mexemos um braço, mão ou perna, ou mesmo só pensamos em movimentá-los, os neurônios desta região do cérebro produzem pequenas correntes elétricas. E como cada movimento específico ativa grupos diferentes de nerônios, eles podem ser captados e traduzidos em ordens para o quadricóptero ir para um lado ou outro ou para cima e para baixo.

- Fomos os primeiros a usar o MRI funcional e EEGs para mapear os locais no cérebro onde os neurônios são ativados quando imaginamos movimentos, e agora sabemos de que regiões do córtex motor os sinais virão - conta.

Mapa cerebral dos movimentos
O mapeamento feito pela equipe de He mostrou que se ver cerrando os punhos (com uma mão de cada vez ou ambas) produzia os sinais mais fáceis de serem distinguidos no cérebro. Assim, quando os voluntários pensavam em fechar a mão direita, o quadricóptero ia nesta direção, o mesmo acontecendo com a mão esquerda. Já para ordenar que o aeromodelo subisse ou descesse, eles se imaginavam cerrando ou abrindo as duas mãos juntas, respectivamente.

- Este conhecimento sobre que tipos de sinais são gerados por que tipo de movimento imaginado nos ajudou a refinar o sistema para controlar objetos voadores em tempo real - explica He.

Para percorrer o circuito sem erros, no entanto, os voluntários do experimento tiveram que passar por um treinamento. Primeiro, eles aprenderam a controlar um cursor em movimento unidimensional em uma tela de computador, depois em movimentos bidimensionais e, por fim, manejaram um helicóptero virtual em um voo simulado tridimensional. Nem todos os candidatos a “pilotos”, porém, conseguiram tirar o “brevê” para guiar o quadricóptero, o que He suspeita ter acontecido por terem um nível mais baixo de consciência corporal, já que pesquisas anteriores demonstraram que praticantes de yoga, por exemplo, têm melhor desempenho.

- Ainda não entendemos bem por que isso acontece, mas esta é uma possibilidade - considera.

Ao todo, cinco dos 12 voluntários iniciais - três mulheres e dois homens - dominaram a tecnologia e guiaram o quadricóptero enquanto viam imagens transmitidas por uma câmera instalada nos aeromodelos, que, em breve. He pretende usar para permitir que pessoas paralisadas e presas em casa possam “passear” pelo mundo.


Fonte: aqui

1 de jun. de 2013

Leito de rio em Marte

A sonda Mars Express, da Agência Espacial Européia e da Agência Espacial Italiana, orbitando Marte captou esta imagem, que sugere um leito de rio.


Observe-se que há um afluente na margem superior, que pode ser visto de outro ângulo na imagem abaixo.
O provável leito de rio é conhecido como Reull Vallis e percorre sinuosamente 1.500 km do território marciano. No ponto fotografado o canal tem cerca de 7 km de largura e 300 m de profundidade.


Mais detalhes no site Inovação Tecnológica.