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29 de abr. de 2010

Tem peixe na Rede


Em vez de querer calar, não seria melhor parar de mentir?
Se fechar o fedor vai aumentar!
O Belo Monte de mentiras está aqui.

26 de abr. de 2010

Chávez fala em guerra ao comentar eleição colombiana

Agência Estado, Diário do Comércio
26 de abril de 2010

SÃO PAULO - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse hoje que pode haver uma guerra contra a Colômbia se o ex-ministro da Defesa Juan Manuel Santos for eleito presidente colombiano. Segundo Chávez, a vitória de Santos na eleição presidencial de 30 de maio "poderia levar a uma guerra" na região. A declaração foi feita no programa semanal de rádio e televisão venezuelano "Olá, sr. Presidente".

Diálogo?

Partidários de Ortega atacam Parlamento nicaraguense
EFE, ESP (*)

MANÁGUA- Partidários do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, quebraram vidraças da sede do Parlamento nesta quinta-feira, 22, enquanto, em seu interior, os trabalhos legislativos eram retomados após dois dias consecutivos de distúrbios em Manágua.

Encapuzados e vestidos de uniformes militares, os simpatizantes do governante sandinista lançaram pedras e morteiros no edifício ao ritmo de música e se retiraram do local uma hora e meia depois do término da sessão plenária.

Diálogo impossível



Turba impide a disidente cubana presentar su libro en Argentina

The Associated Press, ElNuevoHerald

BUENOS AIRES -- La médica cubana disidente Hilda Molina se vio impedida de presentar su obra en la Feria del Libro debido a interrupciones e insultos que recibió por parte de manifestantes defensores del régimen de Cuba.

Molina iba a presentar su libro "Mi verdad" la noche del viernes cuando militantes del Movimiento Argentino de Solidaridad con Cuba y estudiantes universitarios irrumpieron en la sala para increpar e insultar a Molina, según imágenes difundidas el sábado por el canal de televisión C5N.

Ou seja, só eles podem apresentar "Sus verdads".
Corja maligna.
Diálogo?

25 de abr. de 2010

Janela de oportunidade

Há alguns anos tenho guardado esta frase, dita por um tal Horace Mann em meados do século XIX:

"O estabelecimento de um governo republicano sem meios bem determinados e eficientes para a educação universal do povo é o mais intempestivo e insensato experimento jamais tentado pelo homem.”

O contexto, naturalmente, era o da transferência de autoridade das estruturas aristocráticas para aquelas de elaboração popular, regradas pela democracia constitucional.

Junto à frase, havia também um comentário mais recente, de autor desconhecido:

“Quão verdadeira esta declaração é hoje, quando temos o sufrágio universal!
Não apenas a prosperidade de nossa economia tecnológica, mas, ainda mais, o bem-estar de nossa democracia política depende da reconstituição de nossas escolas.
Nossas escolas não estão preparando pessoas jovens para os altos escalões e as obrigações da cidadania em uma república democrática.
Nossas instituições políticas não podem prosperar, podem até nem mesmo sobreviver, se não produzirmos um maior número de cidadãos pensantes, de onde algum estadista possa eventualmente surgir.
Nós somos, sem dúvida, uma nação em risco, e nada aquém de uma reforma radical em nossas escolas pode nos salvar do desastre.
Qualquer que seja o preço que devamos pagar em dinheiro e esforço para fazer isto, o preço que pagaremos por não ter feito será muito maior.”

Pois bem. Eu, aqui onde estou, vivo no meio do povão. Minha vizinhança, em grande parte, simplesmente não tem condições de participar da vida política do seu país, a não ser como massa de manobra - aceitando, e até procurando, um cabresto em troca de privilégios.

A formação das pessoas é insuficiente para obterem a condição de igualdade que lhes permita exercerem a cidadania plena. Não é à toa que pareça tão natural serem tratadas como gado. Não se pode fugir da realidade: essa situação lhes faz justiça, na circunstância.

Mas se pode trabalhar a realidade. E a oportunidade está caindo de madura.

A criançada da minha vizinhança cresce reproduzindo as limitações de seus pais, e ela, sabemos, é representativa de uma multidão. Daqui a dez anos estará votando em algum populista oportunista - também ele conduzido, por incapaz; mero títere de estrategistas que não foram eleitos, usurpadores do poder republicano -, e produzindo outra geração inviável.

É necessário, nesses dez anos, um esforço concentrado para se romper essa continuidade viciosa. Como disse o comentarista acima, é preciso pagar o preço que for preciso.
Uma geração inteira, bem formada, é o nosso salto qualitativo inadiável.

Vamos nos engajar no Brasil que pode mais? Vamos exigir e dar sustentação a um projeto mobilizador?



Retratos do passado (1)

O regime com o qual os petistas não cessam de sonhar é o regime que imaginam ser de “despotismo esclarecido” e benevolente, à semelhança daquele que implantaram dentro do próprio PT e que consistiu - como todos os petistas de boa-fé acabaram percebendo - numa ditadura férrea da cúpula sobre quem dela discordasse e num tratamento benevolente aos fiéis companheiros que “errassem”, ou seja, que fossem pilhados batendo carteiras. Mas só a estes, porque aos petistas que se escandalizaram com a bateção de carteiras, puseram a boca no trombone, tentaram corrigir as malfeitorias e até, ingenuamente, alertaram a cúpula partidária, o tratamento dispensado foi muito outro: desde a expulsão sumária até o “justiçamento”, como obviamente ocorreu com pelo menos dois prefeitos.

por Marco Antonio Rocha, Agosto 2006

18 de abr. de 2010

A opção por parcerias repulsivas

por Augusto Nunes, colunista de Veja

A retrospectiva da sequência de espantos desencadeada em 2003 informa que existe lógica na loucura aparente da política externa. Nestes mais de sete anos, o governo brasileiro foi confrontado com numerosas escolhas: a Venezuela bolivariana ou os Estados Unidos, os narcoterroristas das FARC ou o presidente constitucional Alvaro Uribe, o psicopata Muammar Khadaffi ou o Tribunal Internacional de Haia, a ditadura dos irmãos Castro ou os presos de consciência, o terrorista italiano Cesare Battisti ou os pugilistas cubanos Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux, o genocida Omar al-Bashir ou o Darfur dilacerado. Coerentemente, errou todas. Errou outras. E vai continuar errando, avisa a infame aliança com o Irá.

A opção preferencial por parcerias repulsivas torna a associação com os aiatolás atômicos tão inevitável quanto um drible de Garrincha. Entre o primitivismo e a civilização, entre Mahmoud Ahmadinejad e Barack Obama, a escolha feita por um Itamaraty redesenhado pela Era da Mediocridade só reafirmou que de onde menos se espera é que não vem nada mesmo. Formulada por nostálgicos do stalinismo sem compromisso com valores democráticos, avalizada por um presidente sem compromisso com valores morais, a política externa atende à vaidade de um governante na fronteira da mitomania, serve aos desígnios do PT e não tem compromisso com o Brasil.

Lula convive em fraternal promiscuidade com gente que o insultou, como Fernando Collor, ou que ofendeu gravemente, como José Sarney. Não há por que sentir-se constrangido na lida com abjeções que a esquerda psicótica reverencia. Como não sabe sequer se Karl Marx é um daqueles irmãos do cinema, como não leu uma única orelha de livro sobre geopolítica, contraterniza com todas as peças ─ sobre revolucionários de galinheiro ─ do populoso museu dos desprezíveis administrado por Marco Aurélio Garcia, Celso Amorim, Samuel Pinheiro Guimarães e outros comissários que garantem o crachá de conselheiro internacional com declarações de guerra ao imperialismo ianque.

“Não conheço nenhum presidente que não tenha apertado a mão de um ditador”, alega o chanceler de bolso. Conversa fiada de um diplomata deformado pela alma subalterna, pela compulsão para a vassalagem, pelo servilismo que protege o emprego. É verdade que todo presidente vive exposto a shake hands constrangedores. Mas Amorim sabe desde sempre que Lula ama ir muito além do aperto de mão protocolar. Nenhum governante que se declara democrata troca cumprimentos efusivos com apóstolos da infâmia como Khadaffi ou Fidel Castro. Só Lula.

Só Lula nega a presidentes eleitos democraticamente, como o hondurenho Porfirio Lobo e o chileno Sebastián Piñera, o abraço que conforta o golpista Manuel Zelaya ou anima o ditador aprendiz Hugo Chávez. Só Lula incumbiu um ministro de Estado de entregar a Ahmadinejad, ambos com o sorriso de comparsa, a camisa da Seleção Brasileira. Só Lula ousou qualificar os oposicionistas iranianos que protestavam contra a imensa fraude eleitoral de torcedores inconformados com a derrota do time. Só Lula comparou presos políticos aos bandidos das cadeias de São Paulo.

O presidente Fernando Henrique Cardoso, condutor das negociações que encerraram o sangrento conflito fronteiriço entre o Peru e o Equador, nunca posou de especialista em impasses internacionais. Lula não deu um pio na crise gerada pela construção de fábricas de celulose uruguaias na divisa com a Argentina. Mas resolveu nomear-se consultor-geral do mundo e liquidar com quatro conversas, três improvisos e duas piadas os becos sem saída do Oriente Médio.

A política externa de um país democrático atende aos interesses nacionais. Se atende aos interesses do chefe de governo ou de um partido, então não há democracia. Essa regra encontrou no Brasil uma perturbadora exceção. Não existe um tirano, nem foi instituído o regime de partido único. Mas há mais de sete anos o Itamaraty só faz o que o PT propõe e Lula endossa.

As ações internacionais escancaram a alma do presidente e a cabeça do partido. Lula é um animador de auditório, deslumbrado com plateias de áulicos ou encontros de governantes que não compreendem português. O PT é a cara dos parceiros que escolhe. Todos infelicitam países que são hoje o que a companheirada quer que o Brasil seja amanhã.


17 de abr. de 2010

Pergunta um amigo;

- Ari, você acha que existe alguma chance de existir uma vida íntegra que seja, no mundo político? Ou será que vamos eternamente nos iludir, e até quando?

Baita pergunta, tchê.
Sem chance de embromação.
Uma vida íntegra, em qualquer mundo, é algo notável. Outro dia, uma amiga judia, perguntada sobre quem, afinal, são os judeus, deu-me ciência de seu principal Mandamento: "Faze de tua vida uma oração de louvor a Deus".

Para as mentalidades arraigadas à concretude é impensável pautar cada ato, cada pensamento e cada sentimento por um vínculo abstrato com o indefinido.
E no entanto, como comentou a Ester, na vida dos judeus o Estudo ocupa uma posição central, e essa motivação assombrosa para estudar, que os conduziu a uma inquestionável proeminência intelectual, esse "fogo sagrado" que os alimenta, de onde mais poderia ter vindo que não de sua decisão de se comprometerem com um poder transcendente?

Esse tipo de vínculo também está sujeito a distorções. E a potência que ele liberou, direcionada para finalidades concretas, provoca estragos... potencializados.
Lembro novamente dos judeus: o primeiro presidente do moderno Israel, Herzl, ante o então iminente confronto do mundo comunista com o capitalista observou que eram judeus Marx e Rotschild, os expoentes dos campos antagonistas.

O compromisso com um ideal pode degenerar-se, fornecer um ímpeto inicial que acaba se traduzindo em sórdidas realidades cotidianas.
As coisas são assim, são dados da realidade. A empolgação com uma nova perspectiva desperta e desdobra energias. E o fator que desencadeia o processo se corrompe, na sua aplicação prática.

Alguns de nossos semelhantes (ou que já foram semelhantes), reconhecendo a impossibilidade de "servirem a dois senhores ao mesmo tempo", retiram-se do mundo, como sabemos da história de várias religiões.
Veja um deles, um místico cristão, San Juan de la Cruz, em Dichos de Luz y Amor:

As condições de um pássaro solitário são cinco:
Primeiro, que ele voe ao ponto mais alto;
Segundo, que não anseie por companhia, nem a de sua própria espécie;
Terceiro, que dirija seu bico para os céus;
Quarto, que não tenha uma cor definida;
Quinto, que tenha um canto muito suave.

Admirável, não?
Eu não tenho dúvida de que ele realmente viveu o seu êxtase, de que se alimentava de sua própria visão, de que não era um mero seguidor de palavras de ordem...

E por falar nisso, acho que recaímos, finalmente, no assunto que você levantou.
No sistema político de massas o vínculo das pessoas não é com a ordem natural, e sim com alguma alternativa de ordem social.
As ordens sociais que elaboramos não são estritamente racionais, mas fecundadas por um espírito, que as faz evolutivas ou as conduz a becos sem saída.
O movimento do espírito independe da vontade humana, mas nos é facultado sintonizá-lo e obedecer a seus comandos. Quando o ignoramos recaímos no pragmatismo mais abjeto, esquecemos nossos ideais, corrompemos nosso vínculo.
Acho que o ser humano, político ou não, é isso: um indivíduo ligado por uma linha invisível ao abstrato. Ligação esta que lhe cabe manter íntegra e polida, como se estivesse fazendo de sua vida uma oração de louvor a Deus...

Sala ainda vazia

Cuidado, ela segue o mouse