13 de dez. de 2013
Reinaldo Azevedo na Folha de S.Paulo
O eixo OAB-PT-STF
13/12/2013
OAB, STF e PT resolveram se juntar contra a democracia. O tribunal está prestes a declarar inconstitucional a doação de empresas para campanhas eleitorais, aprovada em 1993, e a restringir a de pessoas físicas. Se acontecer, o primeiro e óbvio efeito será o aumento brutal do caixa dois. O sistema político voltará à clandestinidade da qual havia parcialmente saído há 20 anos e que resultou, por exemplo, no Collorgate. Essa "conspiração dos éticos" de calça curta chega a ser asquerosa. Trata-se de um truque vulgar na América Latina bolivarianizada. Na região, não se dão mais golpes com tanques, mas com leis. Usa-se a democracia para solapá-la. E o Judiciário tem sido peça fundamental da delinquência política. Se o financiamento não pode ser privado, terá de ser público. O STF, que não foi eleito para legislar, definirá que o Congresso é livre para fazer a escolha única. O "novo constitucionalismo" é só bolivarianismo com sotaque praieiro. Engana trouxas com seu jeitinho beagle de ser. Um rottweiler do estado democrático e de direito logo reage. O PT já havia tentado extinguir as doações privadas. Não deu certo. Agora a OAB, que pede a inconstitucionalidade da atual lei, serve-lhe de instrumento para o golpe togado, no tapetão. O que o partido tem com isso? Explica-se. Numa argumentação confusa, preconceituosa, Luiz Fux, o relator, vituperou contra a participação do dinheiro privado em eleições. Ele acha que o capitalismo distorce a democracia, cantilena repetida por outros. Falta-lhes bibliografia para constatar que, felizmente, a democracia é que distorceu o capitalismo. Fux sustenta que partidos com mais financiamento privado têm mais votos. Toma o efeito como causa: quem tem mais votos é que tem mais financiamento privado. Sob a lei atual, uma legenda com então seis anos de existência, o PSDB, venceu a eleição presidencial de 1994 e se reelegeu em 1998. Em 2002, perdeu para uma outra, nascida nanica em 1980: o PT. Está em seu terceiro mandato. A consequência natural do acolhimento da ADI é o financiamento público. Os petistas apresentarão uma emenda popular com esse conteúdo. É operação casada com a OAB. Como distribuir o dinheiro? Ou o critério seria o tamanho da bancada na Câmara ou o número de votos na eleição anterior. O principal beneficiado seria o PT. Uma vantagem presente e transitória seria transformada em ativo permanente. Sindicatos, movimentos sociais e ONGs já atuam como cabos eleitorais do PT, e a massiva propaganda institucional é mera campanha eleitoral disfarçada. O partido quer agora que a supremacia alcançada ao longo de 20 anos de financiamento privado impeça seus adversários de tentar o mesmo caminho. Eles se tornariam reféns do status alcançado pelo petismo. Há um aspecto adicional: partidos que têm de se financiar na sociedade obrigam-se a dialogar, a estabelecer pactos, a modular a ação segundo os valores da comunidade que pretendem governar. Se o dinheiro é garantido por um cartório, amplia-se o espaço do seu arbítrio, não o de sua independência. Fux atribuiu até a ainda pequena presença de mulheres na política ao financiamento privado. Sei. O capital é feio, sujo, malvado e machista. É um caso de falácia lógica, sintetizada na expressão latina "post hoc ergo propter hoc" - ou: "depois disso, logo, por causa disso". Dilma é presidente "apesar do capital" ou "por causa do capital"? Nem uma coisa nem outra. As duas conclusões são estúpidas. De resto, de 1994 a esta data, na vigência do financiamento privado, o número de mulheres na política aumentou. Por causa dele ou apesar dele? P.S. - "Você já elogiou o STF e agora ataca." Desculpem este modo de ser: quando gosto, digo "sim"; quando não, "não". Parece exótico?
4 de dez. de 2013
Rock Brasil
A Barca do Sol (1974)
A primeira batalha
A Barca do Sol
Bixo da Seda (1976)
Já brilhou
Bacamarte (1983)
Último entardecer
O Terço (1976)
Cabala
O vôo da fenix
A primeira batalha
A Barca do Sol
Bixo da Seda (1976)
Já brilhou
Bacamarte (1983)
Último entardecer
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Cabala
O vôo da fenix
26 de nov. de 2013
A matéria é resultado de flutuações do vácuo quântico
A teoria de que a matéria não tem fundações tão firmes quanto sugerem termos como "concreto" e "sólido" não é tão nova. Mas esta é a primeira vez que os cientistas conseguiram demonstrar que a matéria se origina de meras flutuações do vácuo quântico.
Modelo Padrão da Física
Uma equipe internacional de físicos demonstrou de forma conclusiva que o Modelo Padrão da física das partículas - a teoria que descreve as interações fundamentais das partículas elementares para formar toda a matéria visível no universo - explica com precisão a massa dos prótons e dos nêutrons.
"Mais de 99% da massa do universo visível é formado por prótons e nêutrons," afirma o estudo, publicado na revista Science. "Esses dois tipos de partículas são muito mais pesados do que os quarks e glúons que as constituem, e o Modelo Padrão da física deve explicar essa diferença."
O que faz com que a matéria seja matéria?
Cada próton e cada nêutron é formado por três quarks. Ocorre que esses três quarks juntos respondem apenas por 1% da massa de todo os prótons ou nêutrons. A explicação conclusiva que faltava era: Então, o que responde pelo restante da massa dessas partículas? Em outras palavras, "O que faz com que a matéria seja matéria?"
O Dr. Andreas S. Kronfeld explica que, como os núcleos atômicos formam quase todo o peso do mundo, e como esses núcleos são compostos de partículas chamadas quarks e glúons, "os físicos acreditam há muito tempo que a massa do núcleo atômico tem sua origem na complicada forma com que os glúons se ligam aos quarks, conforme as leis da cromodinâmica quântica (QCD - Quantum ChromoDynamics)."
Partículas virtuais
Os glúons são uma espécie de "partículas virtuais," que surgem e desaparecem de forma aleatória. O campo formado por essas partículas virtuais seria responsável pela força que une os quarks - a chamada força nuclear forte.
Ocorre que, como o número de interações reais e virtuais entre quarks e glúons é estimada na casa dos trilhões, é incrivelmente difícil, ou até mesmo impossível, usar as equações da QCD (cromodinâmica quântica) para calcular a força nuclear forte.
Os pesquisadores então criaram uma nova técnica, batizada por eles de Rede QCD, na qual o espaço é representado na forma de uma rede discreta de pontos, como os pixels de uma tela de computador. Este modelo permitiu que os cientistas incorporassem toda a física necessária e deu a eles o controle das aproximações numéricas e da taxa de erros nos cálculos da massa dos hádrons - prótons, nêutrons e píons.
A rede QCD reduz toda a complexidade das equações virtualmente insolúveis em um conjunto de integrais, que puderam ser programadas para solução em um programa de computador.
Isto permitiu que, pela primeira vez, os físicos incluíssem em seus cálculos as interações quark-antiquark, uma das maiores complexidades da força nuclear forte. Agora, além dos glúons, eles sabem que a massa dos quarks-antiquarks se origina da flutuação do vácuo quântico.
Diferença entre acreditar e saber
Conforme os pesquisadores, agora é possível eliminar a expressão "os físicos acreditam", substituindo-a por "os físicos sabem", quando o assunto é a QCD.
Segundo o Dr. Kronfeld, os cálculos revelaram que, "mesmo se a massa dos quarks for eliminada, o massa do núcleo não varia muito, um fenômeno algumas vezes chamado de 'massa sem massa'."
Toda a matéria do universo é virtual
A forma como a natureza cria a massa dos quarks é um dos assuntos de maior interesse dos físicos que irão trabalhar no Grande Colisor de Hádrons, o LHC, que deverá começar a funcionar em 2009.
O LHC vai tentar confirmar experimentalmente a existência do chamado campo de Higgs, que explica a massa dos quarks individuais, dos elétrons e de algumas outras partículas. Ocorre que o campo de Higgs também cria a massa a partir das flutuações do vácuo quântico.
Ou seja, com a atual confirmação de que a massa dos glúons e quarks-antiquarks tem sua origem na flutuação do vácuo quântico, se o LHC confirmar a existência do campo de Higgs, então a conclusão inevitável será de que toda a matéria do universo é virtual, originando-se de meras flutuações de energia.
Modelo Padrão da Física
Uma equipe internacional de físicos demonstrou de forma conclusiva que o Modelo Padrão da física das partículas - a teoria que descreve as interações fundamentais das partículas elementares para formar toda a matéria visível no universo - explica com precisão a massa dos prótons e dos nêutrons.
"Mais de 99% da massa do universo visível é formado por prótons e nêutrons," afirma o estudo, publicado na revista Science. "Esses dois tipos de partículas são muito mais pesados do que os quarks e glúons que as constituem, e o Modelo Padrão da física deve explicar essa diferença."
O que faz com que a matéria seja matéria?
Cada próton e cada nêutron é formado por três quarks. Ocorre que esses três quarks juntos respondem apenas por 1% da massa de todo os prótons ou nêutrons. A explicação conclusiva que faltava era: Então, o que responde pelo restante da massa dessas partículas? Em outras palavras, "O que faz com que a matéria seja matéria?"
O Dr. Andreas S. Kronfeld explica que, como os núcleos atômicos formam quase todo o peso do mundo, e como esses núcleos são compostos de partículas chamadas quarks e glúons, "os físicos acreditam há muito tempo que a massa do núcleo atômico tem sua origem na complicada forma com que os glúons se ligam aos quarks, conforme as leis da cromodinâmica quântica (QCD - Quantum ChromoDynamics)."
Partículas virtuais
Os glúons são uma espécie de "partículas virtuais," que surgem e desaparecem de forma aleatória. O campo formado por essas partículas virtuais seria responsável pela força que une os quarks - a chamada força nuclear forte.
Ocorre que, como o número de interações reais e virtuais entre quarks e glúons é estimada na casa dos trilhões, é incrivelmente difícil, ou até mesmo impossível, usar as equações da QCD (cromodinâmica quântica) para calcular a força nuclear forte.
Os pesquisadores então criaram uma nova técnica, batizada por eles de Rede QCD, na qual o espaço é representado na forma de uma rede discreta de pontos, como os pixels de uma tela de computador. Este modelo permitiu que os cientistas incorporassem toda a física necessária e deu a eles o controle das aproximações numéricas e da taxa de erros nos cálculos da massa dos hádrons - prótons, nêutrons e píons.
A rede QCD reduz toda a complexidade das equações virtualmente insolúveis em um conjunto de integrais, que puderam ser programadas para solução em um programa de computador.
Isto permitiu que, pela primeira vez, os físicos incluíssem em seus cálculos as interações quark-antiquark, uma das maiores complexidades da força nuclear forte. Agora, além dos glúons, eles sabem que a massa dos quarks-antiquarks se origina da flutuação do vácuo quântico.
Diferença entre acreditar e saber
Conforme os pesquisadores, agora é possível eliminar a expressão "os físicos acreditam", substituindo-a por "os físicos sabem", quando o assunto é a QCD.
Segundo o Dr. Kronfeld, os cálculos revelaram que, "mesmo se a massa dos quarks for eliminada, o massa do núcleo não varia muito, um fenômeno algumas vezes chamado de 'massa sem massa'."
Toda a matéria do universo é virtual
A forma como a natureza cria a massa dos quarks é um dos assuntos de maior interesse dos físicos que irão trabalhar no Grande Colisor de Hádrons, o LHC, que deverá começar a funcionar em 2009.
O LHC vai tentar confirmar experimentalmente a existência do chamado campo de Higgs, que explica a massa dos quarks individuais, dos elétrons e de algumas outras partículas. Ocorre que o campo de Higgs também cria a massa a partir das flutuações do vácuo quântico.
Ou seja, com a atual confirmação de que a massa dos glúons e quarks-antiquarks tem sua origem na flutuação do vácuo quântico, se o LHC confirmar a existência do campo de Higgs, então a conclusão inevitável será de que toda a matéria do universo é virtual, originando-se de meras flutuações de energia.
22 de nov. de 2013
Outro caminho em direção à fotossíntese artificial
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| O sistema híbrido concentra os fótons absorvidos em duas etapas, primeiro nos oligômeros de rênio, e depois no centro de reação de rutênio.[Imagem: Yamamoto et al.] |
Cientistas japoneses conseguiram pela primeira vez coletar a energia do Sol usando um número excepcionalmente grande de moléculas coletoras de luz, aproximando-se mais da forma como as plantas coletam a luz solar para produzir seu alimento.
Já que a luz é uma onda eletromagnética, Yohei Yamamoto e seus colegas do Instituto de Tecnologia de Tóquio criaram uma folha artificial que captura a luz usando diversas antenas.
A seguir, a luz é conduzida até um receptor, onde os fótons são efetivamente convertidos em energia, completando o circuito da fotossíntese artificial.
Os painéis solares são formados por milhares de células solares individuais.
No caso da fotossíntese artificial, porém, as "células solares" são muito menores, elas são na verdade "moléculas solares".
Até agora os pesquisadores vinham utilizando sistemas de colheita de luz de uma única etapa, o que limita bastante o número de absorvedores de luz capazes de alimentar um único centro de reação e conversão.
Imitando os sistemas fotossintéticos naturais, Yamamoto coletou a luz de forma muito mais eficiente usando o maior número de "folhas artificiais" registrado até hoje.
São 440 tubos de organossilicato mesoporoso (PMO) ligados por grupos absorvedores de luz bifenila (Bp) com cinco pentâmeros rênio conectados a um complexo trisdiimina de rutênio (Ru-Re5).
Este sistema híbrido - PMO-Bp-Ru-Re5 - concentra os fótons absorvidos em duas etapas, primeiro nos oligômeros de rênio, e depois no centro de reação de rutênio.
Embora represente um avanço histórico no projeto "bioinspirado" da fotossíntese artificial, o uso do rutênio ainda é um entrave à utilização prática do sistema.
Mesmo sendo utilizada apenas uma unidade de rutênio por folha artificial, o elemento é caro demais, e terá que ser substituído para que a abordagem possa produzir os primeiros painéis solares fotossintéticos.
Fonte: Site Inovação Tecnológica
1 de nov. de 2013
A um passo da fotossíntese artificial
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| Imagem: Angewandte Chemie |
Enquanto a fotossíntese natural sustenta a vida na Terra, a
esperança é que a fotossíntese artificial possa sustentar todas as necessidades
de energia da civilização humana.
"Os painéis solares podem coletar energia, mas o
armazenamento economicamente viável ainda é uma incógnita. Estamos tentando
copiar uma ideia da Mãe Natureza, onde a fotossíntese produz energia a partir
do Sol e a armazena," explica Dunwei Wang, da Universidade de Boston, nos
Estados Unidos.
Oxidação e redução
Em uma série de avanços em seus esforços para desenvolver um
meio econômico de realizar a fotossíntese artificial, a equipe de Wang
conseguiu diminuir drasticamente a diferença de tensão entre os dois processos
cruciais de oxidação e redução.
A fotossíntese natural consiste de dois processos: a
oxidação produz o oxigênio, enquanto a redução produz moléculas orgânicas.
Wang explica que a fotossíntese artificial, também conhecida
como quebra da molécula da água, tenta copiar estas duas reações usando um fotoanodo
para oxidar a água e um fotocatodo, ou para reduzir a água para a produção de
hidrogênio, ou para reduzir o dióxido de carbono para criar moléculas orgânicas.
Mas os experimentos em laboratório têm-se deparado com uma
diferença na tensão necessária para um dos dois lados da reação. Em essência, a
oxidação e a redução exigem de 1,2
a 1,3 volts combinados para obter a carga necessária
para alimentar a fotossíntese artificial.
Até agora, essa lacuna só havia sido preenchida usando
materiais raros e caros - proibitivamente caros para qualquer aplicação
prática.
Ferrugem útil
Agora, Wang e seus colegas se aproximaram muito do objetivo
usando apenas óxido de ferro, a mesma ferrugem que cresce quando o metal é
exposto ao tempo.
A tensão obtida representa um aumento de 50% em relação aos
melhores resultados anteriores, deixando a fotossíntese artificial prática a
apenas 0,2 volt de se tornar realidade.
A equipe obteve seus resultados revestindo hematita - um
óxido de ferro semelhante à ferrugem - com óxido de ferro-níquel, uma liga de
baixo custo largamente utilizada na indústria.
"Nosso sistema, feito de oxigênio, silício e ferro -
três dos quatro elementos mais abundantes na Terra - fornece mais de 1
volt," disse Wang. "Agora, são apenas dois décimos de volt faltando
no fotoanodo. Isso é uma redução significativa da diferença."
Ele acrescenta que preencher o hiato é algo totalmente
dentro do alcance, particularmente porque outras equipes já fizeram isso usando
sistemas diferentes, mas não tão baratos.
Fonte: Site Inovação Tecnológica
19 de ago. de 2013
11 de ago. de 2013
Lula, o idiota maior, e a grande revolta dos imbecis
por Luís Dolhnikoff
Antes que algum idiota hipotético e conotativo pense em me processar por difamação, injúria, calúnia ou qualquer outra fina figura jurídica, esclareço e adianto que a palavra idiota no título e no restante do texto é usada em sua condição denotativa. Nesta, a palavra, derivada diretamente do grego idiotés, significa privado, particular, em oposição a público e a político. Pois no mesmo grego, político, ou melhor, politikós, é o relativo à comunidade, à cidade, mais exatamente, à pólis. O cidadão (habitante da cidade) que a ela se dedica é, portanto, politikós – enquanto aquele que lhe dá as costas para cuidar de seus negócios pessoais, particulares, privados (numa palavra, idiói), é um idiotés.
A conotação de imbecil, burro e/ou cretino, em todos os sentidos destes termos (cretino, por exemplo, é originalmente um termo médico, equivalente a débil mental), que a palavra idiota adquiriu, advém do fato de que, para os gregos, só podia haver vida inteligente no âmbito politikós, em que um homem era posto à prova, ao mesmo tempo, em suas virtudes e em suas capacidades, incluindo iniciativa, coragem, conhecimento, honestidade e discurso político para falar na assembleia dos cidadãos; nada disso era demandado ou testado no cuidar de seus negócios particulares.
Mas Lula é, por profissão, um político. Se é, ao mesmo tempo, um idiota, é um idiota político, ou um político idiota, o que denotativamente é igual. Igual e igualmente contraditório: pois como pode um homem ser ao mesmo tempo dedicado à pólis, à política, à coisa pública, e se dedicar apenas às suas questões pessoais, particulares, e ser assim um idiota? A resposta está na traição da política, na sua inversão ou subversão. Se a política perde sua substância ou natureza de coisa pública, passa a ser idiota sem com isso se tornar contraditória. Pois sua contradição estaria, então, com a própria política em seu sentido original.
Tudo fica mais claro ao se comparar e contrastar com outro par de conceitos, o político e o estadista. Se o político é aquele que se dedica à pólis, o estadista é quem se dedica ao Estado. Mas isto em suas denotações, que, neste caso, esclarecem pouco ou nada face às suas conotações. Começando pelo último, um estadista é o político que deixa de lado seus interesses particulares pelo interesse maior do país. O caso paradigmático notório da política contemporânea é Nelson Mandela. Depois de 27 anos de prisão, foi libertado e alçado à condição de presidente. Mas exerceu apenas um mandato, sequer se candidatando à reeleição. Houve vários motivos, mas o principal e talvez menos conhecido foi o fato de que Mandela afrontou a maioria das demais lideranças do CNA (Congresso Nacional Africano), seu partido e maior partido do país, a fim de barrar o caminho da revanche ou vingança contra a minoria branca, depois do fim do apartheid. Essa tendência era forte o bastante no partido para que Mandela tivesse de usar todo seu cacife político a fim de abortá-la, com isso evitando uma guerra civil e a destruição do país. Mas também garantindo o fim de sua curta e tardia estadia no poder. Ao contrário e à diferença do estadista, o político comum deixa de lado os interesses maiores do país por seus interesses pessoais. Portanto, apesar da aparente contradição, a maioria absoluta dos políticos é idiota. No caso brasileiro, Lula é, então, apenas o mais idiota deles. Ou o maior idiota entre eles.
Depois de vinte anos de oposição, em que Lula e o PT firmaram e afirmaram serem um político e um partido políticos, que queriam chegar ao poder para tirá-lo das mãos dos idiotas, dos grupos de oligarcas que loteavam o Estado em causa própria, para devolver o Estado à cidadania, à cidade, à pólis, o que se viu foi o contrário. Ou seja, a transformação do PT e de Lula em mais um partido e em mais um político idiotas, ocupados e preocupados em seu interesse maior, principal e, no limite, único, seu projeto particular (ou idiota) de poder. Isto é fato notório e indiscutível. Menos notório hoje, pois relativamente esquecido (ainda que igualmente indiscutível), foi o primeiro e principal motivo alegado para tal transformação. Ele pode ser resumido na palavra “governabilidade”, e assim traduzido: as reformas que fariam do Brasil um Estado cidadão, em vez de um Estado ladrão ou idiota, que toma muito de quase todos para dar muito a poucos e muito pouco aos demais, ou seja, as reformas política, fiscal, jurídica e educacional, para começar, não foram então implantadas porque o “sistema político” idiota não o permitiu. Logo, façamos o possível – o que, na prática, se traduziu em não fazer nada para transformar o Estado brasileiro de idiota para político. Mas já que estamos aqui, ao menos usemos o idiota do Estado brasileiro para servir ao nosso próprio grupo de políticos idiotas. Afinal, somos idiotas, mas não imbecis.
Há todavia um porém: Lula e o PT tinham, quando de sua primeira eleição presidencial, um cacife político enorme, que ninguém jamais soube ou saberá se suficiente para afrontar, ao menos em parte, e em que parte, a arraigada idiotia da política nativa. Porque esse afrontamento, em nome das reformas que eram a própria razão histórica e política do PT e de Lula, não foi na verdade tentado. Se não foi tentado, afirmar, como fariam depois Lula e o PT, que era a priori impossível, é retórica, falácia, sofisma ou mentira. O fato insofismável é que Lula e o PT logo se tornaram apenas e simplesmente uma nova parte da velha massa de políticos idiotas, e estamos conversados.
É a idiotia do PT em geral e de Lula em particular que explica a recente revolta da cidadania brasileira contra a idiotia da política nacional. Pois se o partido e o líder que se fizeram historicamente, no período posterior à ditadura militar, como aqueles que repolitizariam essa política, ou a desidiotizariam, não o fizeram, e se além de não o fazerem a reforçaram, tornando-se os mais idiotas da política nativa, ou seja, os mais agarrados ao seu projeto particular de poder, deixava então de existir, em todo o espectro político brasileiro, qualquer opção dirigida a essa repolitização ou a essa desidiotização da política.
Nesse contexto, o papel do mais que idiota governo Dilma, com sua aliança figadal com os maiores idiotas políticos do país, conhecidos como oligarcas ou fisiológicos, agrupados em siglas como o PMDB e atendendo por nomes como José Sarney, Renan Calheiros e Paulo Maluf (apoiador do candidato de Dilma, de Lula e do PT em São Paulo, Fernando Haddad), foi o de confirmar e reconfirmar, depois da radicalmente idiota “era Lula” (cujo grande esforço político seria afinal fazer seu sucessor, a própria Dilma), o completo abandono, pelo PT, do resgate da política pelo combate à idiotia. Com isto confirmado e reconfirmado, não havia mais saída da idiotização da política senão fora da política idiota. O que explica a cidadania tomar as cidades, único caminho restante para retomar o que é da pólis, a política que merece o nome.
Lula, o grande idiota da política brasileira contemporânea, está, portanto, completamente certo quando afirma e reafirma, como vem afirmando e reafirmando, que a recente revolta popular no Brasil se deve aos seus governos. Não, obviamente, para quem não é minimamente estúpido, pelos motivos que alega, ou seja, suas “grandes conquistas”: segundo Lula, o idiota maior da política menor brasileira, que portanto acredita poder enganar a todos todo o tempo, o aumento de consumo “por ele” conquistado seria a causa dessa revolta, pois os perfeitos imbecis dos cidadãos brasileiros, ao perceberem, por obra e graça de Lulinha, o Grande, que podiam consumir, não se contentariam mais em ser tratados, digamos, como perfeitos imbecis pelo Estado idiota brasileiro, como sempre o foram. Ocorre que tais famosas “conquistas” lulopetistas não incluem nenhuma das reformas históricas necessárias para resgatar a política brasileira – pois limitadas, fundamentalmente, a esse famoso aumento de consumo pelos mais despossuídos, sem sequer o incremento da produção e da produtividade, pelo lado econômico, ou da educação, pelo lado da cidadania. E sem falar do exercício podre do poder. Cuja podridão se espalha, afinal, por todo o país, envolvendo desde a infraestrutura física (daí a famosa “[i]mobilidade urbana” tornar-se um problema intratável) até a superestrutura moral (daí o país ser o infame recordista planetário de mortes por assassinato). O Brasil é, enfim, um país apodrecido (podre o poder, podre a educação pública, podre a saúde pública, podre a segurança pública, podre tudo o que é público), liderado por idiotas e habitado por imbecis. Até ontem.
De fato, a recente revolta popular no Brasil se deve diretamente aos governos da “era Lula”, incluindo o de sua sucessora, seguidora e títere: mas apenas porque tais governos foram a maior e a mais evidente traição histórica recente à promessa jamais resgatada, por nossa superidiota classe política, de politizar a política brasileira. Isto será então necessariamente feito, não importa como, pelos ex-imbecis, afinal desimbecilizados pela insuportável demora dos inquilinos do poder em se desidiotizar.
Antes que algum idiota hipotético e conotativo pense em me processar por difamação, injúria, calúnia ou qualquer outra fina figura jurídica, esclareço e adianto que a palavra idiota no título e no restante do texto é usada em sua condição denotativa. Nesta, a palavra, derivada diretamente do grego idiotés, significa privado, particular, em oposição a público e a político. Pois no mesmo grego, político, ou melhor, politikós, é o relativo à comunidade, à cidade, mais exatamente, à pólis. O cidadão (habitante da cidade) que a ela se dedica é, portanto, politikós – enquanto aquele que lhe dá as costas para cuidar de seus negócios pessoais, particulares, privados (numa palavra, idiói), é um idiotés.
A conotação de imbecil, burro e/ou cretino, em todos os sentidos destes termos (cretino, por exemplo, é originalmente um termo médico, equivalente a débil mental), que a palavra idiota adquiriu, advém do fato de que, para os gregos, só podia haver vida inteligente no âmbito politikós, em que um homem era posto à prova, ao mesmo tempo, em suas virtudes e em suas capacidades, incluindo iniciativa, coragem, conhecimento, honestidade e discurso político para falar na assembleia dos cidadãos; nada disso era demandado ou testado no cuidar de seus negócios particulares.
Mas Lula é, por profissão, um político. Se é, ao mesmo tempo, um idiota, é um idiota político, ou um político idiota, o que denotativamente é igual. Igual e igualmente contraditório: pois como pode um homem ser ao mesmo tempo dedicado à pólis, à política, à coisa pública, e se dedicar apenas às suas questões pessoais, particulares, e ser assim um idiota? A resposta está na traição da política, na sua inversão ou subversão. Se a política perde sua substância ou natureza de coisa pública, passa a ser idiota sem com isso se tornar contraditória. Pois sua contradição estaria, então, com a própria política em seu sentido original.
Tudo fica mais claro ao se comparar e contrastar com outro par de conceitos, o político e o estadista. Se o político é aquele que se dedica à pólis, o estadista é quem se dedica ao Estado. Mas isto em suas denotações, que, neste caso, esclarecem pouco ou nada face às suas conotações. Começando pelo último, um estadista é o político que deixa de lado seus interesses particulares pelo interesse maior do país. O caso paradigmático notório da política contemporânea é Nelson Mandela. Depois de 27 anos de prisão, foi libertado e alçado à condição de presidente. Mas exerceu apenas um mandato, sequer se candidatando à reeleição. Houve vários motivos, mas o principal e talvez menos conhecido foi o fato de que Mandela afrontou a maioria das demais lideranças do CNA (Congresso Nacional Africano), seu partido e maior partido do país, a fim de barrar o caminho da revanche ou vingança contra a minoria branca, depois do fim do apartheid. Essa tendência era forte o bastante no partido para que Mandela tivesse de usar todo seu cacife político a fim de abortá-la, com isso evitando uma guerra civil e a destruição do país. Mas também garantindo o fim de sua curta e tardia estadia no poder. Ao contrário e à diferença do estadista, o político comum deixa de lado os interesses maiores do país por seus interesses pessoais. Portanto, apesar da aparente contradição, a maioria absoluta dos políticos é idiota. No caso brasileiro, Lula é, então, apenas o mais idiota deles. Ou o maior idiota entre eles.
Depois de vinte anos de oposição, em que Lula e o PT firmaram e afirmaram serem um político e um partido políticos, que queriam chegar ao poder para tirá-lo das mãos dos idiotas, dos grupos de oligarcas que loteavam o Estado em causa própria, para devolver o Estado à cidadania, à cidade, à pólis, o que se viu foi o contrário. Ou seja, a transformação do PT e de Lula em mais um partido e em mais um político idiotas, ocupados e preocupados em seu interesse maior, principal e, no limite, único, seu projeto particular (ou idiota) de poder. Isto é fato notório e indiscutível. Menos notório hoje, pois relativamente esquecido (ainda que igualmente indiscutível), foi o primeiro e principal motivo alegado para tal transformação. Ele pode ser resumido na palavra “governabilidade”, e assim traduzido: as reformas que fariam do Brasil um Estado cidadão, em vez de um Estado ladrão ou idiota, que toma muito de quase todos para dar muito a poucos e muito pouco aos demais, ou seja, as reformas política, fiscal, jurídica e educacional, para começar, não foram então implantadas porque o “sistema político” idiota não o permitiu. Logo, façamos o possível – o que, na prática, se traduziu em não fazer nada para transformar o Estado brasileiro de idiota para político. Mas já que estamos aqui, ao menos usemos o idiota do Estado brasileiro para servir ao nosso próprio grupo de políticos idiotas. Afinal, somos idiotas, mas não imbecis.
Há todavia um porém: Lula e o PT tinham, quando de sua primeira eleição presidencial, um cacife político enorme, que ninguém jamais soube ou saberá se suficiente para afrontar, ao menos em parte, e em que parte, a arraigada idiotia da política nativa. Porque esse afrontamento, em nome das reformas que eram a própria razão histórica e política do PT e de Lula, não foi na verdade tentado. Se não foi tentado, afirmar, como fariam depois Lula e o PT, que era a priori impossível, é retórica, falácia, sofisma ou mentira. O fato insofismável é que Lula e o PT logo se tornaram apenas e simplesmente uma nova parte da velha massa de políticos idiotas, e estamos conversados.
É a idiotia do PT em geral e de Lula em particular que explica a recente revolta da cidadania brasileira contra a idiotia da política nacional. Pois se o partido e o líder que se fizeram historicamente, no período posterior à ditadura militar, como aqueles que repolitizariam essa política, ou a desidiotizariam, não o fizeram, e se além de não o fazerem a reforçaram, tornando-se os mais idiotas da política nativa, ou seja, os mais agarrados ao seu projeto particular de poder, deixava então de existir, em todo o espectro político brasileiro, qualquer opção dirigida a essa repolitização ou a essa desidiotização da política.
Nesse contexto, o papel do mais que idiota governo Dilma, com sua aliança figadal com os maiores idiotas políticos do país, conhecidos como oligarcas ou fisiológicos, agrupados em siglas como o PMDB e atendendo por nomes como José Sarney, Renan Calheiros e Paulo Maluf (apoiador do candidato de Dilma, de Lula e do PT em São Paulo, Fernando Haddad), foi o de confirmar e reconfirmar, depois da radicalmente idiota “era Lula” (cujo grande esforço político seria afinal fazer seu sucessor, a própria Dilma), o completo abandono, pelo PT, do resgate da política pelo combate à idiotia. Com isto confirmado e reconfirmado, não havia mais saída da idiotização da política senão fora da política idiota. O que explica a cidadania tomar as cidades, único caminho restante para retomar o que é da pólis, a política que merece o nome.
Lula, o grande idiota da política brasileira contemporânea, está, portanto, completamente certo quando afirma e reafirma, como vem afirmando e reafirmando, que a recente revolta popular no Brasil se deve aos seus governos. Não, obviamente, para quem não é minimamente estúpido, pelos motivos que alega, ou seja, suas “grandes conquistas”: segundo Lula, o idiota maior da política menor brasileira, que portanto acredita poder enganar a todos todo o tempo, o aumento de consumo “por ele” conquistado seria a causa dessa revolta, pois os perfeitos imbecis dos cidadãos brasileiros, ao perceberem, por obra e graça de Lulinha, o Grande, que podiam consumir, não se contentariam mais em ser tratados, digamos, como perfeitos imbecis pelo Estado idiota brasileiro, como sempre o foram. Ocorre que tais famosas “conquistas” lulopetistas não incluem nenhuma das reformas históricas necessárias para resgatar a política brasileira – pois limitadas, fundamentalmente, a esse famoso aumento de consumo pelos mais despossuídos, sem sequer o incremento da produção e da produtividade, pelo lado econômico, ou da educação, pelo lado da cidadania. E sem falar do exercício podre do poder. Cuja podridão se espalha, afinal, por todo o país, envolvendo desde a infraestrutura física (daí a famosa “[i]mobilidade urbana” tornar-se um problema intratável) até a superestrutura moral (daí o país ser o infame recordista planetário de mortes por assassinato). O Brasil é, enfim, um país apodrecido (podre o poder, podre a educação pública, podre a saúde pública, podre a segurança pública, podre tudo o que é público), liderado por idiotas e habitado por imbecis. Até ontem.
De fato, a recente revolta popular no Brasil se deve diretamente aos governos da “era Lula”, incluindo o de sua sucessora, seguidora e títere: mas apenas porque tais governos foram a maior e a mais evidente traição histórica recente à promessa jamais resgatada, por nossa superidiota classe política, de politizar a política brasileira. Isto será então necessariamente feito, não importa como, pelos ex-imbecis, afinal desimbecilizados pela insuportável demora dos inquilinos do poder em se desidiotizar.
27 de jul. de 2013
3 de jul. de 2013
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