30 de ago. de 2012
29 de ago. de 2012
Bem desenhado
A
desmoralização da política
por Marco
Antonio Villa
A
luta pela democracia marcou o século XX brasileiro. Somente em oito dos cem
anos é que não ocorreu nenhum tipo de eleição, de voto popular, para escolher
seus representantes. Foi durante a ditadura do Estado Novo (1937-1945). No
regime militar as eleições tiveram relativa regularidade, mas sem a
possibilidade de o eleitor escolher o presidente da República e, a partir de
1965, dos governadores e dos prefeitos das capitais e das cidades consideradas
de segurança nacional. Nas duas décadas do regime militar (1964-1985), a luta
em defesa da eleição direta para o Executivo e da liberdade partidária foram
importantes instrumentos de mobilização popular.
Com
o estabelecimento pleno das liberdades democráticas, após a promulgação da
Constituição de 1988, as eleições passaram a ter uma regularidade de dois anos,
entre as eleições municipais e as gerais. Deveria ser uma excelente
possibilidade para aprofundar o interesse dos cidadãos pela política, melhorar
a qualidade do debate e e abrir caminho para uma gestão mais eficaz nas três
esferas do Executivo e, no caso do Legislativo, para uma contínua seleção dos
representantes populares.
Para
um país que sempre teve um Estado forte e uma sociedade civil muito frágil, a
periodicidade das eleições poderia ter aberto o caminho para a formação de uma
consciência cidadã, que romperia com este verdadeiro carma nacional marcado
pelo autoritarismo, algumas vezes visto até como elemento renovador,
reformista, frente à ausência de efetiva participação popular.
Desde
1988, está será a décima terceira eleição consecutiva. Portanto, a cada dois
anos temos, entre a escolha dos candidatos e a eleição, cerca de seis meses de
campanha. Neste período o noticiário é ocupado pelas articulações políticas,
designações de candidatos, alianças partidárias, debates e o horário gratuito
de propaganda política. Cartazes são espalhados pelas cidades, carros de som
divulgam os candidatos (com os indefectíveis jingles) e é construída uma
aparência de participação e interesse populares.
Porém,
é inegável que a sucessão das eleições tem levado ao desinteresse e apatia dos
cidadãos. A escolha bienal de representantes populares tem se transformado em
uma obrigação pesada, desagradável e incômoda. Tudo porque o eleitor está com
enfado de um processo postiço, de falsa participação. A legislação partidária
permite a criação de dezenas de partidos sem que tenham um efetivo enraizamento
na sociedade; são agrupamentos para ganhar dinheiro, vendendo apoio a cada
eleição. A ausência de um debate ideológico transformou os partidos e os
candidatos em uma coisa só. O excesso de postulantes aos cargos não permite uma
efetiva comparação. Há uma banalização do discurso. E o sistema de voto
proporcional acaba permitindo o aparecimento dos "candidatos
cacarecos", que empobrecem ainda mais as eleições.
A
resposta do eleitor é a completa apatia, com certo grau de morbidez. Vota
porque tem de votar. Escolhe o prefeito, como agora, pela simpatia pessoal ou
por algo mais prosaico; para vereador, vota em qualquer um, afinal, pensa,
todos são iguais e a Câmara Municipal não serve para nada. O mesmo raciocínio é
extensivo à esfera estadual e nacional. No fundo, para boa parte dos eleitores,
as eleições incomodam, mudam a rotina da televisão, poluem visualmente a cidade
com os cartazes e ainda tem de ir votar em um domingo.
Para
o político tradicional, este é o melhor dos mundos. Descobriu que a política
pode ser uma profissão. E muito rendosa. Repete slogans mecanicamente, pouco
sabe dos problemas da sua cidade, estado ou do Brasil, a não ser as frases
feitas que são repetidas a cada dois anos. O marqueteiro posa de gênio, de
especialista de como ganhar (e lucrar) sem fazer muita força. Hoje é o maior
defensor das eleições bienais. Afinal, tem muitos funcionários, tem de pagar os
fornecedores, etc, etc. Para ele, a democracia acabou virando um tremendo
negócio. E é um devoto entusiástico dos gregos, pois se não fosse eles e sua
invenção....
Não
é acidental, com a desmoralização da política, que estejamos cercados por
medíocres, corruptos e farsantes. O espaço da política virou território
perigoso. Perigoso para aqueles que desejam utilizá-lo para discutir os
problemas e soluções que infernizam a vida do cidadão.
O
político de êxito virou um ator (meio canastrão, é verdade). Representa o papel
orquestrado pelo marqueteiro (sempre pautado pelas pesquisas qualitativas). Não
pensa, não reflete. Repete mecanicamente o que é ditado pelos seus assessores.
Está preocupado com a aparência, com o corte de cabelo, com as roupas e o
gestual. Nada nele é verdadeiro. Tudo é produto de uma construção. Ele não é
mais ele. Ele é outro. É a persona construída para ganhar a eleição. No limite,
nem ele sabe mais quem ele é. Passa a acreditar no que diz, mesmo sabendo que
tudo aquilo não passa de um discurso vazio, falso. Fica tão encantado com o
personagem que esquece quem ele é (ou era, melhor dizendo).
Difícil
crer que toda a heroica luta pelo estabelecimento da democracia, do regime das
plenas liberdades, fosse redundar neste beco sem saída. Um bom desafio para os
pesquisadores seria o de buscar as explicações que levaram a este cenário
desolador, em que os derrotados da velha ordem ditatorial se transformaram em
vencedores na nova ordem democrática. Enfim, a política perdeu sentido. Virou
até reduto de dançarinos.
Tem
para todos os gostos, até para os que adornam a cabeça com guardanapo.
CONVERSA FIADA
por FERREIRA
GULLAR
Sabe
a razão pela qual a empresa estatal dificilmente alcança alto rendimento?
Porque o dono dela ─ que é o povo ─ está ausente, não manda nela, não decide nada.
Claro que não pode dar certo.
Já
a empresa privada, não. Quem manda nela é o dono, quem decide o que deve ser
feito ─ quais salários pagar, que preço
dar pela matéria-prima, por quanto vender o que produz ─, tudo é decidido pelo dono.
E
mais que isso: é a grana dele que está investida ali. Se a empresa der lucro,
ele ganha, fica mais rico e a amplia; se der prejuízo, ele perde,
pode até ir à falência.
Por
tudo isso e por muitas outras razões mais, a empresa privada tem muito maior
chance de dar certo do que uma empresa dirigida por alguém que nada (ou quase
nada) ganhará se ela der lucro, e nada (ou quase nada) perderá se ela der
prejuízo.
Sem
dúvida, pode haver, e já houve, casos em que o dirigente de uma empresa estatal
se revelou competente e dedicado, logrando com isso dirigi-la com êxito. Mas é
exceção. Na maioria dos casos, indicam-se para dirigir essas empresas pessoas
que atendem antes a interesses políticos que empresariais.
Isso
sem falar nos casos ─ atualmente muito
frequentes ─ de gerentes que estão ali para
atender a demandas partidárias.
Tais
coisas dificilmente ocorrem nas empresas privadas, onde cada um que ali está
sabe que sua permanência depende fundamentalmente da qualidade de seu
desempenho. Ao contrário da empresa estatal que, por razões óbvias, tende a se
tornar cabide de empregos, a empresa privada busca o menor gasto em tudo,
seja em pessoal, seja em equipamentos ou publicidade.
E
não é por que na empresa privada reine a ética e a probidade. Nada disso, é só
porque o capitalista quer sempre despender menos e lucrar mais. Não é por
ética, é por ganância.
A
empresa pública, por não ser de ninguém ‼ ─já que o dono
está ausente ─ é “nossa”, isto
é, de quem a dirige, e muitas vezes ali se forma uma casta que passa a sugá-la
em tudo o que pode.
A
Petrobras pagava a funcionários seus, se não me engano, 17 salários por ano e o
Banco do Brasil, 15. Os funcionários da Petrobras gozavam também de um fundo de
pensão (afora a aposentadoria do INSS), instituído da seguinte maneira: cada
funcionário contribuía com uma parte e a empresa, com quatro partes.
Conheci
um desses funcionários que, depois que se aposentou, passou a ganhar mais
do que quando estava na ativa. Numa empresa privada, isso jamais acontece, não
é? No governo Fernando Henrique aquelas mamatas acabaram, mas outras continuam.
Não
obstante, o PT sempre foi contra a privatização de empresas estatais, “et pour
cause”. Lembram-se da privatização da telefonia? Os petistas foram para a rua
denunciar o crime que o governo praticava contra o patrimônio público.
Naquela
época, telefone era um bem tão precioso que se declarava no Imposto de Renda.
Hoje, graças àquele “crime”, todo mundo tem telefone, e a preço de banana.
Mas
o preconceito ideológico se mantém. Os governos petistas nada fizeram para
resolver os graves problemas estruturais que comprometem a competitividade do
produto brasileiro e impedem o crescimento econômico, já que teriam de recorrer
à privatização de rodovias e ferrovias.
Dilma
fez o que pôde para adiá-la, lançando mão de medidas paliativas que
estimulassem o consumo, mas chegou a um ponto em que não dava mais.
O
PIB vem caindo a cada mês, o que a levou à hilária afirmação de que, mais
importante, era o amparo a crianças e jovens… Disse isso mas, ao mesmo tempo,
mandou que seu pessoal preparasse às pressas ─ já
que as eleições estão chegando ─ um plano para a
recuperação da infraestrutura: investimentos que somarão R$ 133 bilhões em 25
anos. Ótimo.
Como
privatização é “crime”, pôs o nome de “concessão” e impôs uma série de
exigências que limitam o lucro dos que investirem nos projetos e, devido a
isso, podem comprometê-los.
Nessa
mesma linha de atitude, afirmou que não está, como outros, alienando o
patrimônio público. Conversa fiada. A Vale do Rio Doce, depois de privatizada,
tornou-se a maior empresa de minério do mundo e das que mais contribuem para o
PIB nacional. Uma coisa, porém, é verdade: cabe ao Estado trazer a empresa
privada em rédea curta.
24 de ago. de 2012
19 de ago. de 2012
18 de ago. de 2012
14 de ago. de 2012
Ficará tudo dominado?
Texto de Reinaldo Azevedo (o título é meu)
Nunca antes na história destepaiz,
como diria aquele, o Supremo foi submetido a tal enxovalho. É inútil
tapar o sol com a peneira ou buscar uma leitura benigna para as coisas
que estão em curso. Dia desses, um querido amigo, contaminado, quem
sabe?, pela leitura de Cândido, de Voltaire — e tomando ao pé
da letra o que lá ia, não como ironia —, sugeriu que o fato de o Supremo
estar constantemente na berlinda era um bom sinal. Evidência, disse
ele, de que temos uma democracia viva, de que os senhores ministros não
se fecham mais numa torre de marfim. Trata-se, sem dúvida, de uma
leitura benigna e otimista do que, entendo, é manifesta expressão de
decadência. Caberá aos ministros ciosos do seu papel institucional
pensar também no destino do tribunal — e, pois, no futuro de todos nós.
Não! Os
fanáticos de Dirceu podem ensarilhar seus adjetivos de guerra. Não estou
aqui a sugerir que os ministros ignorem os autos e votem de acordo com a
opinião pública. Aliás, segundo o presidente do PT, este bom povo
brasileiro está mesmo é interessado no destino das personagens de
“Avenida Brasil”. Pode ser. De tanto ver triunfar na vida real os
pilantras, há a possibilidade de que busque viver a satisfação, ao menos
na fantasia, de ver os espertalhões passando por algum aperto.
Do que vi
da novela até agora, senhor Rui Falcão, aquilo a que se chama “povo” —
essa categoria que vocês por aí têm a ambição de manter sob controle —
pode não ter lá o gosto muito apurado, pode ser ruidoso e pouco
refinado, pode chocar pela franqueza, mas tem caráter e vive com o suor
do próprio rosto, não com o do alheio. E, claro!, há por lá os
pilantras, os enganadores, os safados. É possível, sim, senhor Rui
Falcão, que uma boa parte da opinião pública prefira a ficção como
critério de realidade porque a realidade consegue ser mais
estupefaciente do que qualquer ficção.
Quero,
sim, que os ministros julguem de acordo com os autos, mas espero que não
brindem o país com a vigarice teórica — ninho retórico da impunidade e
do enxovalho ao estado de direito — de transformar os tais autos numa
janela para a impunidade, CONTRA O DOMÍNIO DOS FATOS. Não há
escapatória: os 11 do Supremo estarão dizendo até onde os homens
públicos podem ir e, também, até onde aquela Casa se presta à
intervenção de forças que lhes são externas.
Não,
eu não quero que o Supremo julgue sob a pressão das ruas. Mas eu também
não quero que o Supremo julgue sob a pressão de um partido. Não, eu não
quero que o Supremo julgue para atender aos reclamos da opinião
pública. Mas eu também não quero que o Supremo julgue para atender aos
reclamos de opiniões privadas. Não, eu não quero que o Supremo julgue
contra as provas. Mas eu também não quero que o Supremo julgue contra os
fatos.
Que futuro
terá um país em que um Marcos Valério saia do tribunal com atestado de
boa conduta? E que futuro terá esse tribunal? Que futuro terá um país em
que um Delúbio Soares saia do tribunal com atestado de boa conduta? E
que futuro terá esse tribunal? Mas e Dirceu? Faltam evidências de que
fosse o chefe inconteste do partido, de sua política de alianças e de
sua relação com os aliados??? Como se realizava materialmente, e segundo
quais critérios, essa convergência de interesses? Tenham paciência!
Estou
nessa profissão há 25 anos. Saibam, senhores ministros do Supremo: nunca
se fez tanta chacota do STF, se desconfiou tanto de seus critérios, se
especulou tanto sobre a motivação de alguns de seus integrantes. E não
porque isso seja consequência do escrutínio democrático. O ponto é
outro. Dá-se como certo que, para alguns, os princípios da lei e do
decoro se subordinam às imposições de uma tarefa de natureza partidária.
Antes, debatia-se a doutrina; agora se debate quem obedece ao comando
de quem.
O
Supremo estará decidindo, em suma, se vai fazer réu o povo brasileiro e
condená-lo a uma pena eterna: viver num país esculhambado, em que aquele
que deveria dar o exemplo só resta impune porque se aprimorou nas artes
do crime.
12 de ago. de 2012
Reagindo à orquestração
Eloquente
chamado do Coroneleaks:
O Brasil rural
merece amor, cuidado e respeito.
O
produtor rural brasileiro cuida da sua propriedade da porteira para dentro, com
extrema competência. Se o resto do Brasil fosse como essa grande fazenda, que
ocupa apenas 27,7% do território, seríamos o país mais poderoso do mundo. No
entanto, não é isso que ocorre. O Brasil Rural enfrenta todo o tipo de problema
e dificuldade para trabalhar e produzir. O Brasil Rural é perseguido. É
rotulado. Existe contra ele uma campanha sistemática de difamação comandada,
por exemplo, por Marina Silva, que corre o mundo denegrindo a imagem do país e
o seu principal setor econômico. E ela não está sozinha.A imprensa ataca os
"ruralistas" sempre que pode, transformando-os em desmatadores e
destruidores do meio ambiente. É aquele Brasil kamikase que, em vez de
valorizar as suas forças, trabalha para exterminá-las.
O
IBAMA, corrupto e assecla dos ditos movimentos sociais e das ongs
internacionais, leva a mais completa insegurança jurídica para a zona de
produção, perseguindo de forma implacável os pequenos produtores,com exigências
absurdas e multas milionárias, com o objetivo de trasformar áreas produtivas em
terras arrasadas, em termos econômicos.
A
FUNAI, Fundação do Ìndio, em conluio criminoso com o Conselho Indigenista
Missionário, o famigerado CIMI, que prefere índios morrendo de diarréia do que
vivendo como cidadãos, incita as invasões e a violência no campo, em busca de
mais terra, apesar de 600 mil índios ocuparem espantosos 12,5% do território
brasileiro.
O
Ministério do Trabalho e os seus fiscais venais caçam e montam situações de
trabalho escravo, que ocorrem em número muito maior na zona urbana, apoiados
pela esquerda delirante, tendo como grande objetivo o confisco das propriedades
para uma reforma agrária assassina que amontoa seres humanos debaixo da
bandeira de lona preta da guerrilha rural do MST.
Uma
ala xiita do Ministério Público confronta, 24 horas por dia, decisões do STF em
relação à propriedade privada e às leis, servindo de suporte institucional para
os inimigos do país, que querem destruir a nossa agropecuária. Impõe termos de
ajustamento de conduta impossíveis de cumprir, espalhando terror e medo no
campo brasileiro.
Mesmo
assim, com todos estes inimigos na entrada da fazenda, a nossa agricultura gera
praticamente todo o superavit da balança comercial do país, já que o setor de
serviços e a indústria são deficitários. Hoje o Brasil Rural garante,
anualmente, U$ 70 bilhões de lucro para o Tesouro Nacional, sem sacrificios
para a população. A importação de alimentos, que há 20 anos chegava a 50% do
consumo, virou uma exportação de 30% de excedente produzido. E se a comida
engolia 40% da renda do trabalhador, hoje é paga usando apenas 18%
do salário do brasileiro. Os números são extraordinários e emocionantes para
quem ama o país.
Mas
não pensem que os problemas param por aí. Produzindo cada vez mais dentro da
fazenda, o Brasl Rural escancara a falência da infra-estrutura do país real.
Não há rodovias. Não há ferrovias. Não há hidrovias. Não há armazéns. Não há
portos. Querem um exemplo? Os Estados Unidos, maior produtor do mundo de
alimentos, teve uma grande perda de produção de milho neste ano. O preço vai
subir no mercado internacional. O Brasil, por sua vez, teve uma super safra no
Centro-Oeste, mas não tem onde armazenar os grãos. Segundo a Folha de São
Paulo, em Lucas do Rio Verde (MT), toneladas de milho armazenadas a céu aberto
aguardam uma janela logística para seguir aos principais portos e centros de
consumo. A falta de silos para guardar grãos, que põe em risco a colheita -por
deixar o cereal sujeito a influências externas, como o clima-, não é um fato
inédito. Ficou, porém, mais evidente neste ano. Pudera, a região produz 60% do
grão, mas tem escoamento para apenas 20%. Os demais cruzam o país em caminhões
com uma média de 20 anos de uso, em estradas esburacadas, o que encarece e tira
competitividade da nossa produção diante de outros países.
Mesmo
assim o Brasil acaba de ultrapassar o Estados Unidos na produção de soja.
Somos o maior produtor de soja do mundo! Como diz o editorial do Estadão de
hoje, com exportações de US$ 44,8 bilhões e saldo comercial de US$ 36,8 bilhões
no primeiro semestre deste ano, o agronegócio continua sendo um importantíssimo
fator de segurança para o setor externo da economia brasileira. Os bons
resultados foram obtidos em 2012 mesmo com a queda de preços de vários produtos
básicos. Poucos preços, incluídos os da soja, ficaram imunes à crise global. A
China se manteve como a principal compradora de produtos agropecuários, apesar
de sua desaceleração econômica. Espera-se uma reativação da economia chinesa,
embora o ritmo de crescimento deva manter-se abaixo de 9%. Essa reativação
ajudará a sustentar os preços dos alimentos.
Por
fim, vejam o que ocorre com o Código Florestal. O que os produtores rurais
querem é manter o que já têm. Não estão pedindo um metro a mais de terra. Aí os
ecologistas patrocinados por ongs internacionais querem transformar as várzeas,
áreas mais produtivas em qualquer lugar do mundo, usadas em todos os países
para produzir alimentos, em áreas de preservação permanente. Querem
inviabilizar a piscicultura e a irrigação, proibindo a construção de tanques às
margens de rios. Querem tirar a terra de quem a utiliza desde que Cabral chegou
aqui. Não importa que 62% do país esteja coberto por vegetação nativa, o que
não existe em nenhum país do mundo. Não importa que os índios já ocupem 12,5%
do território. Não importa que 11% do país esteja ocupado por assentamentos de
reforma agrária que não funcionam, que são verdadeiros gulags. Parece que o
objetivo é destruir o Brasil rico, o Brasil que funciona, sendo que para isso
inventa-se até mesmo a categoria de rio temporário, para que inventem-se
margens virtuais onde os produtores serão obrigados a plantar árvores, em vez
se soja, trigo, milho.
Nesta
semana, o governo federal vai lançar um plano nacional de logística. O Brasil
Rural, especialmente no Centro-Oeste e o Norte, precisa de apenas R$ 6 bilhões
em investimentos em transporte, um décimo do que custará o trem-bala. para
baratear em 15% o preço da produção. Meia dúzia de obras estruturantes tornarão
o Brasil ainda mais competitivo lá fora, além de reduzir o preço dos alimentos
no mercado interno. É hora de defender o Brasil dos maus brasileiros. Da Miriam
Leitão que, por ser casada com um ambientalista, virou uma feroz inimiga do
setor que sustenta a nossa economia. Da Marina Silva, que defende
florestas aqui e fazendas lá, sempre escondendo que o Brasil é o maior exemplo
de produção com preservação do mundo. Da verdadeira quadrilha composta pelas
ongs internacionais financiadas pelo agronegócio dos seus países. Dos políticos
demagogos, escumalha do sindicalismo industrial ou das ligas canpesinas, que
querem impedir que a agricultura familiar se transforme em agronegócio
familiar, pois querem que o pequeno agricultor continue algemado às políticas públicas
e a outros artifícios de dominação. Do mundo acadêmico que vê a produtividade e
modernidade da agropecuária destruindo as suas teses com fatos, dados e
números. Da mídia, concentrada nas zonas urbanas, que tapa o nariz e os olhos
para a destruição do meio-ambiente nas cidades, mas que aponta o dedo acusador
para a área rural, mesmo que a cada ano o desmatamento seja reduzido e produção
seja aumentada, no mesmo pedaço de Brasil.
Da porta da fazenda para dentro, onde o nosso homem do campo tem domínio, tudo funciona e viceja um Brasil rico. Da porta para fora, este herói precisa vencer todos os obstáculos para transformar produçãoem riqueza. O campo merece
respeito, amor e cuidado. Chega de mentiras. Precisamos levar a verdade para os
brasileiros. A verdade verde da floresta junto com a verdade amarela do trigo,
da soja, do milho. Uma não pode matar a outra, sob pena de matarmos o
Brasil.
Da porta da fazenda para dentro, onde o nosso homem do campo tem domínio, tudo funciona e viceja um Brasil rico. Da porta para fora, este herói precisa vencer todos os obstáculos para transformar produção
10 de ago. de 2012
"Meu amigo petista"
Escrito
pela Dra. Elizabeth Rondelli, Doutora em Ciências Sociais ,
professora aposentada das Universidades Federais do Rio de Janeiro e Juiz de
Fora:
“Meu
Amigo Petista”
Tenho
um amigo petista (pessoa incrível e honestíssima), que escreveu sobre o
relatório da OIT - Organização Internacional do Trabalho, mostrando que a
pobreza no Brasil caiu 36% em 6 anos, e dizendo que deve ter gente mordendo os
cotovelos de tanta raiva. Não resisti e respondo publicamente.
"Rir
com dente é fácil".
Quero
ver agora que o preço das commodities caiu, que o modelo de exploração de
petróleo criado pela presidanta prova-se inviável, que a Petrobras não consegue
mais segurar a inflação artificialmente baixa, que o pibinho petista não vai
sequer chegar a 2%, que o Brasil começa a ser encarado como um país onde é
difícil fazer negócio por tanta intervenção e achaques às empresas, que o prazo
razoável de fazer as importantes reformas (previdenciária, tributária, fiscal,
política…) já venceu, que não houve um mísero progresso nas variáveis que
impactam o aumento da produtividade e da competitividade (infraestrutura,
educação, ciência e tecnologia), que todos os esforços foram direcionados à
anabolização dos números no curto prazo em detrimento da poupança e do
investimento no longo, que os sete (eu disse SETE) pacotes lançados nos últimos
meses para tentar ressuscitar o paciente moribundo mostraram-se tão patéticos
quanto as pessoas que os maquinaram, que as famílias estão endividadas até o
talo de tanto estímulo ao consumo, que a arrecadação já dá demonstração de
queda (mesmo com o aumento das alíquotas, o que representa perda real em base
tributável — ou atividade econômica)…
Eu
poderia continuar por mais uma semana elencando a sequência de burradas dos
governos petistas. E olha que eu nem entrei no mérito moral — aí, é “capivara”
mesmo, ficha policial!
Com
economia aquecida e uma carga tributária boçal (em ambos sentido: quantidade e
qualidade), é fácil ter muito dinheiro para gastar. Distribuir aos pobres
parece coisa de gente de bom coração. Renda na mão de pobre vira consumo e
consumo conta para o PIB. E, na mão de petista, vira voto na certa.
Mas
agora que o dinheiro vai começar a rarear, quero ver onde vai estar o coração
dessa gente. Ou vão cravar mais fundo os dentes no setor produtivo da sociedade
ou vão ter que escolher o que deixa de receber recursos. Tenho certeza de que o
caixa 2 das campanhas eleitorais deles está garantido — até porque este parece
ser (por mais surreal que possa parecer) o ÁLIBI dos 36 réus do mensalão.
O
fato é que, 10 anos depois, o pobre brasileiro pode ter ficado momentaneamente
menos pobre na carteira, mas não se tornou um milímetro mais capaz de enfrentar
os desafios do mundo moderno em que o país compete. Basta ver que os
analfabetos funcionais das faculdades de gesso do Luladdad chegam a 38% (é
inacreditável, mas é verdade).
Acabada
a farra da gastança, voltaremos para a mesma estaca em que estávamos antes. Um
pouco piores, na verdade, graças aos retrocessos que representam os constantes
ataques às instituições da sociedade (a Justiça, a liberdade de imprensa, a
independência dos poderes, o que restava de honradez no Congresso, a política
externa que deixou de servir à nação para se dobrar a um projeto particular de
poder…) e às bases da economia de mercado tão sólidas que os petistas herdaram
de seus antecessores mais capazes (a Lei de Responsabilidade Fiscal, o Bolsa
Escola — este, sim, carregava uma contrapartida que produzia um efeito positivo
no longo prazo em vez de boçalizar a população com esmola–, a autonomia do
Banco Central, a confiabilidade dos dados oficiais, o modelo de privatização, o
ordenamento jurídico que atraiu o investidor estrangeiro, a estabilidade
econômica e de regras, a não-intervenção nos mercados…).
Eu
não mordo os cotovelos porque as pessoas estão menos pobres. Mordo de ver que o
PT transformou em mais um vôo de galinha a maior oportunidade que o Brasil
jamais teve de entrar definitivamente para a elite global. Mordo de ver que
gente inteligente como você não consegue perceber a destruição do nosso futuro
que está sendo promovida dia após dia por gente que só quer se locupletar e
perpetuar seu poder sobre a máquina estatal — cada dia maior e mais nefasta
para a economia e, por extensão, à sociedade. Mordo de ver que estamos
abandonando as fontes que trouxeram riqueza para este país para nos alinharmos
cada dia mais aos membros do Foro de São Paulo — do qual fazem parte o mais abominável
ditador do século na América do Sul e o grupo narco-guerrilheiro que ele apóia
no país vizinho. Mordo de ver que gente do bem ainda se alinha com os maiores
bandidos que já ocuparam o poder central deste país. Mordo de pena. Mordo de
tristeza. Mordo de desesperança.
6 de ago. de 2012
5 de ago. de 2012
3 de ago. de 2012
1 de ago. de 2012
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