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31 de mai de 2010

Só faltou puxar uma terrinha pra cima, como os gatos

Anonimato na internet (do blog Coturno Noturno)

Hoje o decano dos blogueiros, Ricardo Noblat, investe, na sua coluna em O Globo, contra o anonimato na internet. Deveria, então, fechar a sua área de comentários que, aliás, era o que havia de melhor em seu blog, sem demérito ao seu bom trabalho de clipagem e aos raros posts da sua própria lavra, o que lhe rendeu o apelido de O Isento. Sempre é mais fácil chamar um José Dirceu, acusado dos piores crimes contra o erário, cassado e com uma extensa folha corrida, para encher grande parte dos seus leitores de fúria e uns poucos de alegria, já que o blog do Noblat, pelos conceitos do Datafolha, publicados ontem, é majoritariamente de direita. Ou chamar um Marcos Coimbra que, ontem, em artigo sobre o "discurso da oposição", falou uma única vez na "Dilma" e dez vezes no "Lula", mostrando o quanto é fraca a candidata da situação que ele já tem declarado eleita, sob os auspícios do blogueiro. Difícil é, em cada post de um blog, colocar a sua opinião, o seu pensamento, já que o blog é assinado e, pela sua essência, deveria expor o que o dono pensa. O mais irônico é que o Noblat joga para cima dos "anônimos" ou das "falsas identidades" da internet a culpa pelo jogo sujo da campanha eleitoral. Ele não está sendo oportunista, está sendo escapista. Ele, melhor do que ninguém,sabe que o jogo sujo vem sendo jogado pelos políticos e por alguns jornalistas claramente financiados pelo governo Lula, basta olhar os banners de patrocínio dos seus sites e blogs, os seus contratos milionários, a sua linha editorial. Vem sendo jogado pelo próprio governo, que comete crime em cima de crime eleitoral, forçando a oposição a usar as mesmas armas sob pena de perder a eleição antes que a campanha, propriamente dita, comece. O jogo sujo vem sendo jogado pela máquina pública, que usa todo o seu poder econômico e político para alavancar uma candidatura oficialista e personalista. O problema do jornalismo devidamente identificado em relação a internet dos "anônimos" é que ela incomoda. E incomoda muito. Neste blog, por exemplo e apenas como uma homenagem a todos os blogueiros anônimos, foi levantado o problema dos cartões corporativos, com a descoberta da compra da ministra Matilde no Duty Free. Aqui foram denunciados os gastos pessoais da Família Silva, pagos com dinheiro público. Aqui foi informado em primeira mão que a candidata petista não tinha diploma de mestrado e doutorado. E foram dados uma série de "furos" que, posteriormente, foram apropriados pela grande imprensa como se fossem seus. Esta é a verdadeira bronca, pois não se tem notícia na internet de que "anônimos" ou "falsas identidades" tenham alguma vez destruído a reputação de quem tinha reputação. Agora, contra quem tem o rabo preso, a internet anônima faz, sim, um estrago e tanto. A internet anônima e desinteressada rompe a blindagem de personagens da vida pública corruptos e desonestos, muitas vezes garantida por jornalistas amigos e companheiros. Este é o papel que os blogueiros anônimos assumiram, em tempos de uma imprensa cada vez mais aparelhada e venal. Eles são anônimos por um motivo muito simples: não ganham dinheiro produzindo notícias e analisando os fatos, ao contrário de jornalistas, colunistas e blogueiros devidamente identificados, com os seus salários milionários, que vivem de reproduzir o que é melhor para sí, para sua imagem, para o seu business pessoal, pouco se lixando para a opinião pública. O anonimato na internet é a proteção de muitos cidadãos brasileiros contra perseguições em suas atividades cotidianas em empresas, universidades e repartições públicas. Inclusive contra perseguições gratuitas e sem sentido promovidas por jornalistas e blogueiros oficiais.

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