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9 de jun de 2011

SINDICATO DE LADRÕES

por Luís Dolhnikoff


1. Ficha criminal

Antonio Palocci emergiu como figura política nacional no rastro de um assassinato: tornou-se o coordenador da campanha de Lula de 2002 em função da morte a tiros do primeiro candidato ao posto, o prefeito de Santo André, Celso Daniel. Tratou-se, além disso, de um assassinato político, de uma “queima de arquivos” ligada a um esquema de propinas, superfaturamento e “caixa 2”. Antonio Palocci, em suma, tornou-se uma figura política nacional em função de um esquema de propinas e de um assassinato político envolvendo diretamente o PT – e a própria campanha presidencial de Lula, na figura de Celso Daniel.

Paralela e independentemente, Antonio Palocci teve seu próprio nome envolvido em outro esquema semelhante, o da “máfia do lixo” da prefeitura da Ribeirão Preto, da qual fora titular. Apesar de tudo (ou por tudo), foi em seguida alçado a ministro da Fazendo de Lula, apenas para ser derrubado pelo escândalo da quebra criminosa do sigilo bancário da um caseiro. Motivo (da quebra criminosa do sigilo): o pobre caseiro testemunhara que o ministro era habitué de certo endereço mal afamado de Brasília, conhecido como “casa do lobby”. Antonio Palocci afinal afundaria em um mais do que merecido – apesar de tardio – ostracismo.

Pois toda sua história política, direta ou indiretamente, está assim, de alguma forma, ligada a crimes, que vão do “caixa 2” ao superfaturamento, de esquemas de propinas ao assassinato político, passando pela quebra criminosa de sigilos bancários (a Caixa Econômica Federal há poucos dias confirmou que a quebra do sigilo do caseiro de fato se originou no gabinete do então ministro da Fazenda Antonio Palocci, o que passou despercebido em meio ao ruído do mais novo escândalo político-financeiro envolvendo seu nome). Que tal personagem tenha retornado à política nacional mais uma vez, e mais uma vez pelas mãos amorais de Lula, para ser o coordenador da campanha e depois ministro-chefe da Casa Civil de Dilma Rousseff, entre outras coisas desfaz a máscara da grande “diferença” entre Dilma e Lula, entre criatura e criador, revelando a mesma feia face da promiscuidade com a bandalheira e a bandidagem políticas. A única diferença é mesmo de estilo (da maquiagem política).

Dilma ou não é santa ou é autista. Não há terceira via possível.

Face à desfaçatez faceira de Antonio Palocci, que pretende agora, ao mesmo tempo, poder enriquecer de modo muito mais do que suspeito e manter o sorriso “cordial” e o poder federal, o que importa é aproveitar as novas velhas circunstâncias para tentar lançar alguma luz sobre a nefasta e nefanda força política que tomou conta do país nos últimos anos, o lulo-petismo, cuja síndica atual se chama Dilma Rousseff, e cujos capangas de ocasião atendem pelo nome grupal de PMDB.

2. Análise do DNA

Nesse quadro histórico geral de crimes factuais, é consistente a recorrência do verdadeiro crime ideológico de atacar a liberdade de imprensa, ainda que apenas verbalmente. Foi portanto o que fez nesta semana, no contexto do “caso Palocci 2.0”, o ministro Padilha, ao afirmar que o maior partido de oposição no Brasil é a “grande imprensa”, repetindo assim a letra e o espírito do chefe, Lula da Silva. A razão é conhecida: “gente de esquerda” considera-se certa a priori, nos dois sentidos, no de ter razão e no de ter certezas. Portanto, quando a imprensa discorda da “esquerda”, está errada, e no limite é, em si, um erro. Daí a esquerda, sem aspas, a que antigamente pretendia trocar o capitalismo pela ditadura do proletariado, ter sempre desprezado a imprensa livre, pois tal liberdade era apenas a “liberdade burguesa”. Daí a “grande imprensa” do lulo-petismo não passar de uma atualização pouco imaginativa da velha “imprensa burguesa” da esquerda de antanho. Cabe, todavia, a pergunta: se a “grande imprensa” não tem quaisquer méritos próprios, não passando de um “partido de oposição” (ao lulo-petismo) mal disfarçado, deveria o Brasil trocá-la por uma imprensa nanica, ao estilo de uma pequena república de banana (em vez de uma à altura de uma grande república de bananas, como o Brasil)? Ou, então, ao velho estilo estalinista, por uma imprensa apequenada (pelo medo, pelas vendas e pela venda)?

O PT nasceu ligado aos sindicatos dos trabalhadores para logo se tornar um “sindicato de ladrões”. “Caso Celso Daniel”, “máfia do lixo” de Ribeirão Preto, mensalão e mensaleiros, , “casa do lobby” de Brasília, quebra de sigilos de caseiros, “aloprados” e dossiês, Erenices e Delúbios, caixas 2, 3, 4, empresários “amigos do Lula”, empresários “clientes” de Palocci, a lista é interminável, e demonstra, para quem não tem vocação para a cegueira voluntária, que cada caso isolado não é um caso isolado, mas mais uma manifestação de um mesmo e único fenômeno. Resta acrescentar que Lula é, inquestionavelmente, o grande líder de tais sindicalistas.

3. O principal suspeito

Fundindo o “criminalismo” atávico da política brasileira ao estalinismo congênito da “esquerda”, o lulo-petismo pode afinal ser descrito como um monstro faminto de duas cabeças perniciosas, que veio para devorar devagar a raquítica e anêmica democracia brasileira mal restaurada a partir de 1985.

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