A redação da Mariana, abaixo, diz
melhor do que eu próprio poderia fazê-lo, do conteúdo e valor desse filme. O título
do post não é pompa: é precisão.
"Colégio
Brigadeiro Newton Braga
Rio de Janeiro, 21 de novembro de 2000
Aluna: Mariana Cardozo Simas Turma 806
Redação sobre o filme Senta a Pua!”
Aluna: Mariana Cardozo Simas Turma 806
Redação sobre o filme Senta a Pua!”
Senta a
Pua!
Estamos no
ano 2000. Tenho 14 anos de idade. Um dia, como outro qualquer, a escola nos fez
um convite; assistir a um filme; um documentário sobre a 2ª guerra mundial.
Devo confessar que foi apenas um pretexto para passar uma tarde fora.
Quando a
fita foi passando, sem dar conta, foi tomando a minha atenção. Eram depoimentos
de homens que, a princípio, me pareciam comuns, como o meu avô.
Aqueles
senhores contavam histórias, vividas por eles, com a voz presa e lágrimas nos
olhos.
As
lembranças eram relatadas de tal forma, que eu podia vê-las em seus rostos.
Como se neles, outra fita estivesse sendo projetada. Como mágica.
Falavam
das missões, dos riscos, dos medos. Quanto aos medos o que mais me impressionou
nos relatos, foi o fato de que, muito mais do que temer a morte, eles temiam a
necessidade de matar. Alguns contaram como viram amigos serem feridos,
mutilados e mortos. Mal pudia tirar os olhos da
tela, e muitas vezes me transportava a 1944, como se pudesse protegê-los, caso
lá estivesse.
Ao
término do filme, saímos do cinema maravilhados. Nossos comentários eram
unânimes: "me amarrei...", "chocante", "muito
bom"... Não sabíamos que a surpresa maior estaria do lado de fora. Eram
alguns dos militares que fizeram parte do filme, ao vivo e a cores, falando com
os alunos, respondendo a perguntas, com a mesma emoção que eu havia visto no
filme. A emoção tomou conta de mim de tal forma que corri até eles e pedi
autógrafos como uma "tiete" de uma banda de rock. Eles eram
exatamente o que eu vi no filme, senhores, velhinhos, vovozinhos, que
provocaram em mim um desejo enorme de abraçá-los, acariciar suas cabeças
branquinhas e lhe s dizer: "Agora está tudo bem, você voltou, está em
casa, eu vou cuidar de você, não precisa mais chorar, e sim ter orgulho por ter
cumprido seu dever, representando bravamente seu país. Sei que as cicatrizes do
corpo e da alma jamais sumirão, mas sejam felizes, porque hoje, no ano 2000,
alguém de apenas 14 anos, na humilde pretensão de amenizar de alguma forma as
tristes lembranças, tem o orgulho de poder dizer a todos vocês "muito
obrigada", o Brasil se orgulha de vocês."
(indicado pela amiga historiadora V. Silveira)
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