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9 de fev de 2013

Santa Maria - A tragédia e seus sócios


por Guilherme Fiuza

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A Kiss era um coquetel de riscos – evidentes – que não foram evitados for uma soma de omissões. Mas tragédia com muitos culpados dificulta o espetáculo do linchamento. Por que o músico da banda foi preso? Porque o show tem que continuar.
E hoje não pode haver show grandioso no Brasil sem a presença do governo popular. Num passe de mágica, poucas horas depois do incêndio, quem estava em todas as manchetes? “Dilma cancela”, “Dilma volta”, “Dilma chora”. E Dilma faz comício para milhares de prefeitos, ordenando-lhes que a tragédia de Santa Maria não se repita. Como é fácil ser presidente.
Já que seu discurso nunca quer dizer nada, o jeito é entendê-la por gestos. Aí tudo fica claro: escondido na aba da presidente, por exemplo, há um ministro com alvará vencido. Após faturar R$ 2 milhões com consultorias fantasmas, Fernando Pimentel foi interditado pela Comissão de Ética da Presidência. O que fez Dilma, a sensível? Interditou a Comissão de Ética – e manteve o ministro pirotécnico no cargo.
Este é apenas um dos muitos exemplos de legalidade que a líder da nação oferece a bombeiros, prefeituras e donos de boate. Sem falar no risco energético que o país corre para sustentar o truque da bondade tarifária.
Assim o governo popular estimula o cumprimento das regras: durante anos, a presidente e seu padrinho mantiveram como sua representante oficial Rosemary Noronha, que atuava sobre as agências reguladoras – as que criam as regras – como negociante de cargos e propinas. As ações dos companheiros de Dilma que não deixam dúvida: driblar a lei dá lucro.
Os donos de boates piratas em todo o Brasil têm, portanto, em quem se espelhar. Por esse ângulo, até dá para entender que Dilma seja a estrela da tragédia.

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